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Meirinhas é o retrato de uma floresta vulnerável ao fogo

Na freguesia de Meirinhas (Pombal), a floresta permanece marcada pela devastação e, muitos dos caminhos, permanecem inacessíveis. Autarca apela à mobilização de meios capacitados. Veja o vídeo.

Há caminhos onde nenhum carro passa. Noutros, é preciso sair e seguir a pé, contornando troncos de grande porte cortados e partidos, ramos entrelaçados e raízes expostas.

A equipa de reportagem do DL percorreu parte da mancha florestal da freguesia de Meirinhas, no concelho de Pombal, acompanhada pelo presidente de junta, João Pimpão. Pelo percurso, surgem clareiras abertas como cicatrizes ainda recentes deixadas pela depressão Kristin.

A floresta, composta maioritariamente por pinheiros e eucaliptos, apresenta um cenário de verdadeira devastação. Praticamente nenhum recanto escapou à força do vento e da chuva. O que ficou foram caminhos bloqueados e uma acumulação de vegetação que, dia após dia, vai secando no terreno.

Ao volante de uma carrinha que percorria a floresta marcada pela tempestade, João Pimpão observava cada troço com preocupação. “As pessoas não têm noção real do perigo que existe”, afirmou, abrandando junto a um dos muitos caminhos que ainda se encontrava totalmente obstruídos.

Em vários pontos da floresta, montes de madeira afastada dos caminhos denunciam o esforço entretanto realizado. Ainda assim, garantiu, há muito por fazer.“O combustível que está nas florestas é imenso e aumenta o grau de calor”, alertou, defendendo uma mobilização mais alargada de meios, sob pena de comprometer seriamente o combate a incêndios e a “defesa” da floresta.

Para o autarca, a dimensão do problema ultrapassa a capacidade local. “Se não tivermos um empenho forte, consistente e bem organizado de meios - da Proteção Civil, dos militares ou de empresas privadas que conheçam este trabalho de corte - não temos qualquer capacidade de ter uma floresta adequada e segura”, reforçou.

Com a aproximação dos meses mais quentes, a inquietação adensa-se cada vez mais. “Já estamos no final do mês de fevereiro. Março e abril passam a correr e, entretanto, estamos em junho ou julho. Esta camada de combustível pode vir-nos a trazer grandes problemas”, advertiu, apelando uma vez mais a “um esforço nacional competente e organizado”, que envolva empresas ligadas ao setor da madeira.

Representante das freguesias na Comissão Municipal de Proteção Civil, João Pimpão disse sentir-se responsável por lançar o alerta, temendo também pelo restante território concelhio, onde cerca de 60% da área é florestal. “Não são quatro motosserras que resolvem isto. Eu estou preocupado com a minha freguesia, mas também o que me assusta é o território. Sessenta por cento do concelho de Pombal é floresta. Não imagino como devem estar os dois mil e tal quilómetros de caminhos florestais que nós temos no concelho, que já foi muito fustigado com incêndios”, sublinhou.

Além do risco de incêndio, apontou outra dificuldade: sem acessos, é impossível perceber a real dimensão dos estragos. “No concelho e na região quantos é que não estarão assim”, questionou.

A dimensão da área afetada, aliada à dificuldade de localizar os proprietários complica ainda mais o processo. “A experiência diz-nos que há uma grande parte que aparece, mas depois há a outra parte”, acrescentou.

 

Mais de 100 quilómetros de caminhos para desobstruir

Dos cerca de 140 quilómetros de caminhos florestais identificados na freguesia de Meirinhas, 20 já tinham sido desobstruídos até quarta-feira, graças ao trabalho realizado por equipas dos Bombeiros Sapadores de Braga, cuja intervenção também permitiu abrir acesso a zonas onde se encontram colmeias.

Junto a um desses acessos, ainda ladeado por árvores tombadas, João Pimpão exemplificou a dificuldade do trabalho. “Demorámos dois dias a chegar a estas colmeias. Conseguimos já desimpedir 20 quilómetros de caminhos florestais Faltam-nos 120”, realçou.

O autarca mostrou-se grato pelo apoio recebido desde sábado por parte dos Bombeiros de Braga, que começaram reparar telhados e passaram depois para a abertura de caminhos florestais.

Com recurso a motosserras, o trabalho dos bombeiros avançava metro a metro. O subchefe de 1.ª classe, Pedro Cunha, descreveu o cenário que as equipas foram encontrando como “devastador” e assumiu tratar-se de uma missão “difícil”, mas encarada com espírito de missão. “Temos todo o interesse em ajudar quem precisa”, sublinhou.

Fevereiro 27, 2026 . 08:00

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