Última Hora
Pub Dl Leiriakids 20260525
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub

“Vazio” sentido por comerciantes prejudica negócios locais

Mais de um mês depois da depressão Kristin, o comércio de Leiria continua a sentir os efeitos de uma cidade que ainda não regressou ao ritmo habitual, com quebras na faturação.

As montras estão compostas e, em alguns casos, as novas coleções já chegaram às lojas, mas o movimento de clientes está longe do habitual.
Passado mais de um mês após a passagem da depressão Kristin, o comércio de Leiria enfrenta um “vazio” difícil de ignorar, refletido numa quebra da faturação, sobretudo nos setores do pronto a vestir e do calçado.
Contactado pelo nosso jornal, o presidente da Acilis - Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria admitiu preocupação com a diminuição do movimento na cidade e com a redução de vendas que, embora considerada “lógica e aceitável”, está a colocar pressão sobre muitos negócios.
“Temos um outro problema que é o das pessoas não virem à cidade e não estarem preocupadas com as compras, e bem, porque estão mais preocupadas com o seu telhado e a recuperação da casa”, começou por afirmar Lino Ferreira.
O problema, sublinhou, não resulta tanto de danos físicos nos estabelecimentos, mas da ausência de clientes. “Nota-se que há um vazio na cidade. No sábado fui dar uma volta e falei com alguns comerciantes. As pessoas não estão a vir à cidade fazer compras e quando fazem são aqueles bens essenciais, a alimentação. Tudo o que é setor das compras e serviços estão a passar por alguma dificuldade”, constatou.
No que diz respeito às vendas, o responsável tem conhecimento de que há estabelecimentos que registaram semanas com quebras totais e outros com reduções de 60 a 70% nas vendas. “Há alguns [comerciantes e lojistas] que, se isto continuar, estão a ponderar o ‘lay off’”, revelou.
Questionado sobre o risco de encerramentos, Lino Ferreira não quis ser “tão pessimista”, lembrando que os empresários locais são “dinâmicos e resilientes”.
O impacto é “transversal” a todas áreas representadas pela Acilis, mas sente-se com maior intensidade no comércio tradicional, em particular no pronto a vestir e no calçado, pois, “além de não venderem o que têm, também já receberam coleções de verão e primavera que também não estão a vender e têm que as pagar”. “Há aqui uma situação muito complicada nessa área”, acrescentou.
Ao contrário dos setores que funcionam de forma mais estável ao longo do ano, estas lojas dependem da rotação de stock por estação. “Estes têm as épocas – verão, primavera e inverno – em que têm que fazer as suas compras para o stock e, neste momento, não vendem o que têm em saldos, como também não conseguem vender o que estão a receber para depois pagar os seus fornecedores e fazer face às despesas”, reforçou.
A restauração, explicou, sente menos impacto, embora já existam queixas, e no turismo começa a notar-se “menos procura”.
O cenário repete-se em Porto de Mós e Batalha, concelhos igualmente representados pela Acilis.
Para que se consigam reerguer, Lino Ferreira considera que os empresários necessitam de apoios. No que toca a medidas concretas, a Acilis tem encaminhado os associados para os apoios disponíveis para micro e pequenas empresas - incluindo comércio e serviços -, disponibilizados pelo Banco Português de Fomento e pelo Governo.
Paralelamente, a associação lançou uma campanha nas redes sociais, envolvendo várias figuras públicas, como Manuel Luís Goucha, Miguel Angelo e Nuno Eiró, que incentivam à compra no comércio local.
O mesmo apelo foi partilhado em, pelo menos, dois programas de televisão.
Questionado sobre se a Páscoa e a aproximação da época alta poderão trazer algum alento aos comerciantes, Lino Ferreira mostra-se otimista, considerando que esses períodos poderão representar o início de alguma “retoma”.

Março 4, 2026 . 13:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right