
Município quer manter o “cinema vivo” na cidade mas está de mãos atadas
O concelho de Leiria está sem salas de cinema há mais de um mês, na sequência das intempéries que assolaram a região e que, entre outros danos, provocaram inundações no espaço do Cinema City, no Shopping NorteSul. Poucas semanas antes tinham encerrado também as sete salas do Cineplace, no LeiriaShopping. Assim, num curto espaço de tempo, a cidade ficou sem acesso regular ao grande ecrã e as perspetivas não são animadoras.
Perante este cenário, o município de Leiria diz-se preocupado em “manter o cinema vivo” na cidade, mas admite ter pouca margem de intervenção num setor que, há mais de 20 anos, é gerido por privados. “Estaremos atentos ao que os privados pretendam fazer no futuro em relação às salas recentemente encerradas, umas por uma razão e outras por outra, por forma a que o cinema comercial volte a ser exibido diariamente no grande ecrã”, referiu a vereadora da Câmara com o pelouro da Cultura.
Anabela Graça acrescentou ao nosso jornal que o papel do município passa sobretudo por “promover o diálogo com distribuidores, exibidores e programadores”, procurando criar condições para que salas como o Teatro José Lúcio da Silva (TJLS) e o Teatro Miguel Franco “possam continuar a integrar na sua programação cinema de carácter mais ‘mainstream’”.
Recorde-se que desde novembro de 2025, o TJLS apresenta filmes comerciais uma vez por mês.
Ao Diário de Leiria, o vice- -presidente do conselho de administração do Teatro José Lúcio da Silva explicou que aquele equipamento não pode colmatar a ausência de salas de cinema na cidade, uma vez que “não se compadece com as agendas culturais dos municípios”.
“Nós temos contratos assumidos com a Direção-Geral das Artes (DGArtes) para uma programação que foi financiada e apoiada. Essa programação não é, de todo, pensada para cinema comercial. Isso significaria romper com todos os contratos que temos, com a DGArtes e com os artistas, para libertar as salas para exibição de filmes como antigamente”, explicou José Pires, assumindo que a exibição de um filme ‘mainstream’ por mês, como acontece atualmente, “não satisfaz a procura do público”.
Por outro lado, o responsável aponta também a exigência das distribuidoras como um obstáculo, já que estas requerem que os filmes em estreia estejam em exibição, no mínimo, durante oito dias, o que “condiciona os municípios e toda a atividade que têm nos seus auditórios”.
José Pires recorda ainda que o Teatro Miguel Franco exibe sobretudo “filmes de autor” e sublinha que, em todo o país — sobretudo nos grandes centros urbanos —, o cinema comercial “está destinado à exploração privada porque é, ou era, uma atividade rentável”.
Cinema City sem data de reabertura
Mais de um mês depois das cheias que deixaram as salas do Cinema City submersas, ainda não há previsão para a reabertura. O espaço continua vedado ao público e é percetível no local um forte odor a mofo e humidade.
“Ainda não conseguimos adiantar uma data porque dependemos de serviços externos para a intervenção no espaço e ainda estamos a fazer esse levantamento”, refere a responsável de marketing do Cinema City.
Andreia Pinto adiantou ainda ao Diário de Leiria que “os danos são extensos”, tendo em conta que “todas as salas foram afetadas”, sem, contudo, detalhar o montante dos prejuízos.
A responsável acrescenta que a empresa NLC, que gere o Cinema City Leiria, já iniciou a primeira fase de recuperação das instalações, “que passa pelos trabalhos de limpeza”, os quais deverão decorrer nas próximas semanas, agora que as salas já não têm água.
Em relação às salas de cinema do LeiriaShopping, fonte da administração apenas adiantou que estão “a trabalhar ativamente para encontrar uma solução o mais rapidamente possível”.








