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Plásticos Ipa: seis décadas e meia a ‘moldar’ a indústria dos plásticos

Com 65 anos de atividade, a plásticos IPA e hoje uma referência na transformação de materiais plásticas, sediada na zona industrial de Porto de Mós, onde alia inovação, rigor e uma visão a longo prazo

Sem capital, “com muitas dificuldades”, mas com conhecimento e coragem, Joaquim Ribeiro assumiu o futuro da Plásticos IPA e mudou-lhe o destino ao lado da esposa, Idalina Ribeiro.

A empresa tinha sido fundada em 1961 por Joaquim Ferreira, ainda com a designação Indústria de Plásticos da Azóia (Leiria), numa altura em que o setor da transformação de matérias plásticas começava a ganhar expressão em Portugal.

Nos primeiros anos, a empresa produzia brinquedos, flores e agulhas para pescadores, tendo nos anos seguintes abandonado a produção de alguns dos artigos, dando lugar aos artigos sanitários e utilidades domésticas, alguns deles ainda em linha.

Natural de Porto de Mós e com residência em Maceira, concelho de Leiria, Joaquim Ribeiro entrou inicialmente como trabalhador, fazendo a “ponte” entre o escritório e a fábrica.

Dois anos depois, decidiu experimentar a área comercial. A viragem decisiva acontece no ano 2000, quando Joaquim Ribeiro decide adquirir a IPA. “Ou eu comprava, ou aquilo fechava”, resumiu.

O administrador sentia que tinha capacidade, mas, admitiu, “não tinha capital”. “Podemos sentir que somos capazes de lá chegar, mas não temos pernas para lá chegar. Com muitas dificuldades, conseguimos lá chegar, felizmente”, contou.

A decisão foi tomada em conjunto com a esposa, Idalina Ribeiro, que passou também a integrar o projeto. Nascia ali uma nova fase da empresa, que se mantém até hoje com a administração repartida entre Joaquim, Idalina e a filha Joana Ribeiro, atualmente diretora-geral.

O processo de transformação foi profundo, mas cauteloso. “Havia necessidade de reduzir o número de pessoas, mas tinha de ser de forma suave. Não despedir ninguém e, ao mesmo tempo, garantir que o trabalho continuava a ser feito”, explicou.

O resultado desse caminho é hoje evidente: a empresa emprega 21 pessoas, produz o dobro do que produzia há 25 anos e mantém uma estrutura sólida e sustentável.

A estabilidade começou a construir-se logo nos primeiros passos da reestruturação. Ao contrário do que seria expectável, o primeiro grande investimento não foi em equipamento, mas na instalação elétrica.

“Há pessoas que começam por despedir ou comprar máquinas e eu comecei pela instalação elétrica, curiosamente. Alguém me disse que era mal empregue o dinheiro que estava a gastar na instalação elétrica. A instalação elétrica tem de estar bem dimensionada e estruturada sem riscos. Todos os dias eu pensava que aquilo podia arder”, recordou.

A partir daí, a empresa avançou para uma reorganização mais ampla, que incluiu a fusão de três empresas que funcionavam de forma autónoma - produção, comercialização e outro ramo industrial - duas delas até fisicamente separadas.

A fusão permitiu ajustar meios, capital social e estratégia, concentrando tudo numa única estrutura. “Fiz a fusão de todas as empresas. Ajustei o capital social à dimensão e começou a funcionar só como uma empresa. Foi por aí que começou a reestruturação. Eletricidade, fusão, maquinas novos, novos produtos e ir expandido o mercado que era muito pequenino”, salientou o empresário.

A empresa, que este ano está a comemorar seis décadas e meia de história, procurou sempre traçar um caminho marcado pela evolução e, para isso, a mudança de instalações, em 2009, para a Zona Industrial de Porto de Mós foi decisiva.

A empresa foi pioneira a nível mundial na produção de embalagens multicamada de 20 litros, uma inovação sem precedentes à época. “Começámos com frascos de 60 e 100 mililitros, aumentámos o portefólio e hoje estamos nos 20 litros”, explicou o responsável.

A tecnologia multicamada - com quatro camadas de plásticos diferentes - garante segurança máxima no transporte de produtos químicos, impedindo fugas, libertação de gases, entrada de oxigénio ou radiação ultravioleta. “A ideia é que mesmo que haja um acidente ou a embalagem mesmo ficando amolgada, nunca verta qualquer tipo de químico, porque isso seria prejudicial para o ambiente a multicamada não deixa usar os raios ultravioleta e não deixa libertar o oxigénio que está dentro da embalagem”, sublinhou a diretora-geral, adiantando que todas as embalagens são certificadas individualmente.

Plásticos IPA produz vasta gama de produtos
Hoje, a empresa tem à disposição dos clientes uma vasta gama de produtos que os responsáveis garantem ser produzidas com toda a qualidade e rigor.

Na área das embalagens, a Plásticos IPA dedica-se ao comércio de frascos, jerricans, tampas e doseadores destinados a produtos químicos. Já na linha doméstica, a empresa comercializa termos, acessórios de cozinha, bolsas térmicas e caixas de arrumação.

A linha sanitária da empresa inclui autoclismos, tampos de sanita para vários modelos de louça sanitária e acessórios para a construção civil.

O processo produtivo é totalmente rastreado: cada lote, cada máquina, cada operador e cada hora de produção ficam registados. “Se houver um problema, sabemos exatamente quando, onde e como foi produzido”, explicou Joaquim Ribeiro, reconhecendo que o mercado em constante alteração exige que as empresas se readaptem.

A diferenciação da IPA não se faz apenas pela tecnologia. Faz-se pela qualidade e pela resposta rápida ao cliente. “Poder surgir várias empresas que façam o mesmo que nós, mas o que nos diferencia tem a ver com a qualidade com que tr abalhamos, porque raramente temos reclamações do que quer que seja e apostamos todos os dias na qualidade do produto”, referiu Joana Ribeiro, assegurando que tudo o que sai da empresa “tem que ir com qualidade”.

Outro fator que diferencia a Plásticos IPA é “a resposta rápida”. “Temos um serviço de resposta rápida. Respondemos ao cliente e arranjamos soluções na hora”, acrescentou.
Com 65 anos de história, a Plásticos IPA continua a provar que inovação, qualidade e visão a longo prazo são matérias-primas essenciais para uma indústria sólida - em Porto de Mós, em Portugal e no mundo.

Cuidar do meio ambiente é prática diária

Na Plásticos IPA, a preocupação ambiental é transversal a toda a atividade.

O desperdício da matéria-prima é praticamente nulo: todo o material excedente resultante do processo produtivo é automaticamente reintegrado nas máquinas.

A aposta na eficiência energética é outro dos pilares da empresa. Desde 2020, a empresa investiu na produção de energia fotovoltaica, reduzindo de forma significativa a fatura energética. No caso das embalagens, a IPA está preparada para incorporar até 20% de material reciclado próprio.

O plano passa agora por aumentar a capacidade instalada, acompanhando o crescimento da atividade.

“A eficiência energética não passa só pelos painéis, passo pelos sistemas de poupança de energia e aí as máquinas podem ser adaptadas a isso”, sublinhou Joaquim Ribeiro.
A lógica de economia circular estende-se também à logística.

A empresa reutiliza paletes e embalagens de cartão, em articulação com os clientes, evitando a compra de centenas de paletes.

As viaturas de serviço são híbridas e a produção é pensada para minimizar resíduos.

Olhar para o futuro sem perder identidade

Na empresa Plásticos IPA, o futuro constrói-se com a mesma lógica que marcou o seu crescimento ao longo de mais de seis décadas: investimento contínuo e visão a longo prazo.

Sem recorrer a incentivos comunitários - todos os investimentos são feitos com capitais próprios -, a IPA continua a investir e a planear o futuro.

A empresa tem em curso novos projetos, que passam pela expansão da área de painéis solares e pelo aproveitamento de um terreno já adquirido na nova área da zona industrial para acolher um novo projeto na área dos plásticos. A área de terreno é de 7.000 metros quadrados. A área de construção depois será menor.

A sucessão é encarada com naturalidade e planeamento, até porque outro dos grandes objetivos para os próximos anos é “passar o testemunho devagar” a Joana Ribeiro, disse Joaquim, confiante de que a empresa “ficará em boas mãos”.

Para a diretora-geral, o desafio passa por ultrapassar uma fase de estagnação da faturação e encontrar novos caminhos de crescimento.

“Sempre pensámos na empresa e não em nós, porque os lucros que a empresa dava eram sempre investidos na mesma e isso fez com que ela crescesse”, salientou o administrador, Joaquim Ribeiro.

Empresa com prémios no palmarés

Com um capital social de 800 mil euros, a Plásticos IPA tem vindo a ver o seu percurso reconhecido por várias entidades ao longo dos últimos anos.

A empresa é distinguida com o estatuto de PME Líder desde 2014, reconhecimento que tem sido renovado todos os anos até à atualidade.

Ao nível local, a empresa tem igualmente sido distinguida com os Prémios Dom Fuas, atribuídos pelo município de Porto de Mós, reconhecimento que a empresa recebe desde o início desta distinção municipal, sublinhando o seu contributo para o tecido económico do concelho.

A empresa portomosense foi ainda galardoada com o Prémio Empresa Sustentável, atribuído pela Nerlei CCI (Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria), que distingue empresas associadas com mais de 50 anos de atividade, reconhecendo a sua resiliência, longevidade e contributo para a economia regional.

Aniversário reúne família da Plásticos IPA

Não é todos os anos que se celebram 65 anos e, por isso mesmo, a Plásticos IPA assinala este marco com um conjunto de iniciativas pensadas para dar visibilidade ao percurso da empresa.

A celebração do aniversário inclui a produção de vídeos institucionais e várias ações nas redes sociais, que procuram dar a conhecer a história da empresa.

O ponto alto das comemorações está previsto para o mês de maio, com a realização de uma festa que reunirá clientes, fornecedores e amigos, num momento de convívio e celebração do caminho percorrido ao longo de mais de seis décadas.

“Queremos que as pessoas percebam que estamos aqui há um tempo, mas que continuamos aqui e melhores do que nunca”, destacou Joana Ribeiro.

Março 11, 2026 . 13:30

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