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Eventos extremos obrigam a tornar sistemas mais resilientes

Para assinalar o Dia Mundial da Água, a AdCL vai abrir portas às suas ETAR, permitindo que a população conheça os processos de tratamento e compreenda o impacto das recentes cheias nas infraestruturas

O Dia Mundial da Água é o momento ‘perfeito’ para a Águas do Centro Litoral (AdCL) reafirmar o seu “compromisso com a continuidade do serviço público”. Quase dois meses depois da depressão Kristin, que deixou um rasto de destruição à sua passagem, e num contexto marcado por eventos meteorológicos e hidrometeorológicos extremos, a empresa faz um balanço e dá nota do trabalho de recuperação já realizado e que permitiu, em meados deste mês, alcançar “resultados concretos na normalização de sistemas e na estabilização de infraestruturas críticas”. Os danos globais nas infraestruturas de abastecimento e saneamento ascendem a cerca de 8,5 milhões de euros.
Desde o primeiro dia que a AdCL fez um “esforço contínuo para recuperar infraestruturas, estabilizar sistemas e garantir que o abastecimento de água e o saneamento se mantenham operacionais, mesmo perante condições extremas”. Um trabalho invisível que garantiu a retoma da normalização do serviço. No caso do subsistema do Lis, a AdCL manteve sempre a entrega de água ao sistema em ‘baixa’ de Leiria, “embora algumas infraestruturas continuassem a operar com limitações e com recurso a geradores”.
O momento mais crítico - a inundação da estação elevatória de Porto Figueira a 30 de janeiro - que ocorreu por influência da tempestade Leonardo, envolveu trabalhadores dos vários polos da empresa, e contou com o apoio do município de Leiria, de empresas externas, permitindo o rápido restabelecimento do abastecimento de água à totalidade dos cinco pontos de entrega ao município de Leiria.
Também no município de Ansião as condições de restabelecimento do serviço de abastecimento à empresa distribuidora em ‘baixa’ APIN “necessitaram do empenho de todos para vencer as dificuldades de acesso às instalações, disponibilização de energia para a captação, tratamento, elevação e transporte de água, para além de gerir as falhas de comunicação dos sistemas de telegestão”, recorda a empresa.
Quanto ao saneamento, “registou impactos significativos e mais prolongados”. Por exemplo, as infraestruturas do subsistema operacional do Lis sofreram “danos relevantes e a normalização, também, avança por etapas”. “As ETAR de Ansião e Santiago da Guarda foram as primeiras a retomarem o normal funcionamento, enquanto as ETAR do Juncal e de Pedreiras, em Porto de Mós, após inundações, estas infraestruturas exigiram, durante semanas, ações de manutenção continuadas e progressivas”, esclarece a AdCL, acrescentando que no caso da Marinha Grande, as ETAR de Vieira de Leiria, São Pedro de Moel e ZI da Marinha Grande retomaram a total operacionalidade três semanas após a passagem da Kristin e depois de muitas intervenções de recuperação nas semanas anteriores.
Já na ETAR de Olhalvas, em Leiria, fez-se progressivamente o retomar das operações logo após o impacto da tempestade. “Além da reposição do arranque biológico, procederam-se a intervenções nas vedações e na cortina arbórea, muito afetadas pelos ventos fortes”. A situação mais complexa, dá nota a empresa, “aconteceu e permanece na ETAR do Coimbrão, que já se encontra em funcionamento, e no respetivo sistema elevatório, que esteve submerso durante várias semanas”. “A recuperação deste sistema de saneamento revelou-se particularmente desafiante, não apenas pela dimensão dos danos pelos ventos fortes, mas sobretudo pela sucessão de inundações que tornaram muitas instalações inacessíveis, submergindo equipamentos, impossibilitando a realização imediata de manobras operacionais e de manutenção”, recorda a AdCL.
Para garantir a continuidade do serviço, foram contratados 30 geradores, num investimento que rondou os 100 mil euros, “assegurando redundância energética em instalações onde o fornecimento elétrico permaneceu condicionado durante vários dias”.
A par destas medidas imediatas e os prejuízos que ascendem a cerca de 8,5 milhões de euros, prosseguem os trabalhos de recuperação, reposição e estabilização “ao longo das próximas semanas”, havendo a expetativa e o compromisso da “realização de intervenções para criar resiliência às infraestruturas de abastecimento e saneamento face a futuros eventos meteorológicos e hidrometeorológicos, a suplantar várias dezenas de milhões de euros”.
Neste Dia Mundial da Água, a AdCL reforça a importância de aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido. Assim, ao longo das próximas semanas e durante o mês de abril, a empresa vai promover visitas guiadas às suas ETAR, permitindo que a população conheça, por dentro, os processos de tratamento, compreenda o impacto das recentes cheias nas infraestruturas e testemunhe o esforço técnico e humano envolvido na sua recuperação.
“Estas iniciativas de portas abertas oferecem uma oportunidade única para perceber como funciona o sistema, qual o papel das equipas no terreno e porque é essencial investir na resiliência e na adaptação das infraestruturas face aos fenómenos climáticos extremos”, propõe a empresa.

Março 22, 2026 . 14:00

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