
Aprovado empréstimo com críticas dos deputados
A Assembleia Municipal de Leiria aprovou por maioria a proposta de empréstimo do executivo de 25 milhões de euros, com críticas dos vários quadrantes políticos.
O executivo socialista liderado por Gonçalo Lopes tinha aprovado em reunião de câmara um pedido de empréstimo de 25 milhões de euros para financiar a recuperação na sequência da passagem da depressão Kristin.
Na passada sexta-feira, Gonçalo Lopes disse aos deputados municipais que se trata de um empréstimo destinado à educação, saúde e ao relançamento da economia. “Não estamos a fazer um empréstimo para resolver problemas de tesouraria, estamos a fazer empréstimo que pode vir a ser apoiado pelo PTRR ou de outro”, explicou Gonçalo Lopes, salientando que poderá vir a ser possível “abater este empréstimo”.
Para o autarca, “este é um empréstimo necessário”. “Não estamos a negociar com o Governo. Temos um levantamento dos danos. Temos uma clara noção de que o epicentro da tempestade foi no concelho de Leiria (…). Temos feito uma pressão alta – não é partidária, é uma pressão de Leiria – a pressão alta se não existir podemos ficar muito para trás. Tenho provas disso, bastou ver a mudança da mira para Coimbra por causa das inundações. Foi uma tragédia anunciada e não confirmada e nós estávamos com uma tragédia e parece que não existia nada”, afirmou.
Mas, para os partidos da oposição, a necessidade de um empréstimo nesta altura não está totalmente esclarecida. Ley Garcia, deputado do CDS-PP, considera “precipitado” o pedido de empréstimo, tendo em conta que a Câmara Municipal tem “mais de 42 milhões de euros de saldo de gerência”.
“Não parece haver necessidade de pedir já. A intenção era votar contra, mas face às explicações dadas”, o CDS-PP optou pela abstenção.
Pereira de Melo anunciou o voto contra do partido Chega. O deputado considerou que “replantar árvores não é assim tão caro”; o estádio “tem seguro”; os “estragos por enchentes” – “houve muito vento, mas a chuva não foi muita”, não vendo, assim, “muitos estragos pela água”; os estragos na rede elétrica “são da responsabilidade da E-rede e REN”; e as comunicações das operadoras.
“Na falta de melhor esclarecimento, julgamos não justificado o pedido de empréstimo”, concluiu, assegurando que a bancada do Chega irá “avaliar a gestão deste empréstimo”.
Do lado da Iniciativa Liberal, Gabriela Antunes fez uma análise e apontou para a “falta de transparência” do processo e no desconhecimento do destino do saldo de gerência. “Enquanto não houver resposta, a IL não pode votar a favor”, disse, assegurando que o partido “não se opõe ao investimento, opõe-se ao endividamento desnecessário, opacidade financeira e à transferência de custos para as gerações futuras” quando não sabem “como estão a ser utilizados os recursos próprios agora disponíveis”.
Ricardo Carvalho, do PSD, anunciou o voto contra, apresentando uma declaração de voto que rejeita um “cheque em branco” de 25 milhões proposto do executivo socialista, pela “falta de transparência nas prioridades e investimentos a realizar neste momento tão crucial para os leirienses”
“O PSD não ignora a necessidade de mobilizar meios para a reconstrução. Mas exige rigor, verdade e responsabilidade, três condições que não estão asseguradas nesta proposta. Caso estivessem, o PSD não hesitaria e votaria favoravelmente”, refere o partido, esclarecendo que o executivo “recusou todas as propostas do PSD para mecanismos de acompanhamento e transparência”. “Sem estas garantias, os leirienses não podem ser chamados a assumir um encargo desta dimensão sem saber exatamente para quê, quando e com que prioridades. Este processo levanta sérias dúvidas de gestão e configura, na prática, um cheque em branco passado ao executivo socialista”, refere o PSD.








