
Estragos no Teatro Stephens obrigam Marinha Grande a transferir programação
A programação cultural do município da Marinha Grande, no distrito de Leiria, está a ser transferida para salas de associações locais como alternativa ao Teatro Stephens, que continua com danos e sem cobertura após a tempestade Kristin.
“Perante a triste realidade de não termos nenhum espaço cultural que permita ter atividade e como temos algumas coletividades que têm espaços onde é possível realizá-la, perguntámos se estariam disponíveis para nos ceder o espaço para que pudéssemos prosseguir com a programação cultural”, explicou à agência Lusa o vereador da Cultura, Sérgio Silva.
O recomeço da programação cultural no concelho vai acontecer nas instalações do Sport Operário Marinhense (SOM) e da Associação Cultural e Recreativa da Comeira, cujos auditórios foram pouco afetados pelo mau tempo, detalhou.
Em causa está a programação preparada pelo Teatro Stephens no âmbito da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP).
Em 2023, a sala de espetáculos garantiu financiamento da Direção-Geral das Artes para o período 2024-2027, obtendo a melhor classificação nacional no concurso da RTCP com o projeto “Incorporar: práticas artísticas e pensamento contemporâneo”.
O vereador disse acreditar que, apesar dos adiamentos que aconteceram depois da tempestade de 28 de janeiro, será possível concretizar os espetáculos e ações previstas nesse plano.
“Acreditamos que vamos conseguir reagendar tudo em vários espaços e também no espaço exterior. Agora, estamos na primavera, depois virá o verão e vamos também fazer coisas na rua”.
Igualmente nas escolas e jardins de infância a atividade contemplada pelo Teatro Stephens foi reforçada.
“É demasiado importante que a programação cultural exista. Seria demasiado mau que não existisse, para a fruição cultural e para o nosso bem-estar psíquico”, afirmou Sérgio Silva.
Além disso, acrescentou, o retomar da programação tem um simbolismo relevante.
“É um sinal de que nós [município] e a sociedade, através das associações - destas em concreto e eventualmente de outras que se venham a juntar a este movimento - queremos seguir em frente, que queremos retomar a vida”.
O histórico Teatro Stephens, originalmente construído pelos irmãos Stephens em meados de 1770, sofreu danos significativos durante a depressão Kristin.
“No Teatro Stephens entrou muita água e ainda não temos telhado reposto. Quando chove continua a cair água. Há estragos grandes”, lamentou.
A cobertura, o palco, as cadeiras e a alcatifa foram afetados, para lá de outros equipamentos da sala.
“Mas não nos equipamentos eletromecânicos, pelo que já vimos”, ressalvou.
Os serviços da Câmara Municipal da Marinha Grande estão a preparar o projeto de reabilitação e a contactar empresas para a empreitada, “mas não existe ainda qualquer previsão para o início dos trabalhos”.
“Queríamos que [a reabertura] fosse, pelo menos, o mais tardar, em novembro, porque queremos realizar uma ação maior nesse período. Vamos ver se conseguimos”, concluiu o autarca.
Enquanto se aguarda o regresso das condições ao Teatro Stephens, a programação é retomada na Marinha Grande na sexta-feira, às 21:30, no Auditório José Vareda, no SOM.
Em palco estará a peça “Definitivamente, nas Bahamas”, de Martin Crimp, com encenação de Ricardo Neves-Neves. A interpretação é de Custódia Gallego, Marques d’Arede e Cristina Gayoso Rey.







