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Empresa de perfis de Pombal opera com menos de metade das linhas de produção

Com prejuízos “à volta de 400 mil euros”, a empresa aguarda pela reparação da coberta para verificar que “outro tipo de avarias” surgirá.

Uma empresa produtora de perfis em compósito de madeira de Pombal está a operar com menos de metade das linhas de produção, dois meses depois da depressão Kristin, que causou prejuízos de 400 mil euros.

“Temos sete linhas de produção, estamos a trabalhar com três. As outras estão na zona onde já não há cobertura dessa nave e estão protegidas com plástico, mas continua a chover-lhes em cima e não podemos fazer nada até repararem a cobertura”, disse o diretor e sócio da EPW, localizada na Zona Industrial da Guia, em Pombal.

À agência Lusa, Bruno Pita explicou que, até ao momento, não foi possível ainda aferir todos os danos causados pelo mau tempo, salientando ainda assim que o maior dano foi registado “na cobertura de uma das naves”, para além de fachadas e de 160 painéis fotovoltaicos que voaram.

Com prejuízos “à volta de 400 mil euros”, a empresa aguarda pela reparação da coberta para verificar que “outro tipo de avarias” surgirá.

“Estamos à espera já quase há um mês, as empresas estão a assoberbadas de trabalho e estão sempre a prometer para a semana”, lamentou.

Bruno Pita apontou ainda danos em cerca de 35 toneladas de matéria-prima, que estava armazenada num local onde também voou parte da cobertura.

A empresa está a laborar com 10 dos 25 funcionários da empresa, com os restantes em ‘lay-off’, que já começaram a apresentar demissão.

“Cinco das 15 pessoas que tínhamos em ‘lay-off’ já apresentaram carta de demissão”, detalhou, justificando com os apoios do Governo.

De acordo com o sócio da EPW, a empresa aguarda resposta da seguradora e já recorreu ao apoio à tesouraria, mas o mais importante é recuperar as instalações.

“Podemos ter todo o dinheiro que quisermos no banco, mas o que nós precisamos é das infraestruturas repostas para podermos voltar a uma capacidade de produção máxima, ir buscar as pessoas que estão em ‘lay-off’, porque isto é urgente. Senão, qualquer dia não temos ninguém em ‘lay-off’, as pessoas vão se despedir todas, porque é muito penoso a diferença de dois terços e 100% de apoio”, referiu.

Em paralelo com as tempestades recentes, o conflito no Irão afetou também a empresa, com uma faturação de cinco milhões, que tem 60% de clientes nos países árabes, indicou Bruno Pita.

“O fecho do Estreito de Ormuz foi mais uma tempestade enorme que caiu sobre nós”, lamentou, confessando que “dá vontade de desistir”.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas

Março 29, 2026 . 19:30

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