
Batalha contrai empréstimo de 4 ME para reparar danos
A Câmara da Batalha vai contrair um empréstimo até quatro milhões de euros (ME), sobretudo para recuperação de danos relativos ao mau tempo.
“A situação do Município da Batalha antes da tempestade já era financeiramente débil, tendo em conta o número de compromissos que tínhamos que vinha do anterior executivo e das obras municipais em curso no âmbito do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], partes que não são cofinanciadas, e outras obras lançadas”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal.
Segundo André Sousa, com os danos ocorridos devido ao mau tempo a “margem de realizar despesa ficou muito reduzida ou quase nula”, dados os custos que teve de suportar.
“Por isso, a nossa necessidade de avançar com um empréstimo bancário. Mesmo não sabendo ainda o valor que vamos receber do seguro, mesmo não sabendo o dinheiro total que vamos receber do Estado, precisamos de avançar com as obras, sobretudo aquelas mais urgentes, que comprometem a qualidade de vida dos nossos cidadãos e comprometem, também, a nossa ação municipal”, justificou o autarca.
Numa nota de imprensa, a Câmara explicou que “o valor financeiro proposto incide, em primeiro lugar, sobre os danos mais urgentes provocados pela tempestade, nomeadamente no Pavilhão Multiusos da Batalha, no Pavilhão Desportivo da Golpilheira, na Rua Nossa Senhora do Fetal e na Rua do Emigrante, bem como na reabilitação da rede viária em todo o concelho”.
“Refira-se que muitos dos levantamentos de danos e projetos de intervenção ainda se encontram em elaboração pelos serviços municipais, dada a dimensão e complexidade dos prejuízos registados”, ressalvou o município.
André Sousa salientou que as despesas decorrentes do mau tempo são superiores, mas a Câmara só se pode “endividar quatro milhões de euros por ano”, pelo que para a contratação do empréstimo procurou incluir “os projetos mais urgentes”.
O autarca esclareceu que no lote de obras a financiar pelo empréstimo está, ainda, a conclusão do Pavilhão Desportivo de São Mamede.
“O anterior executivo deixou cair o empréstimo para o próprio edifício, de um milhão e meio [de euros], e depois utilizou só os fundos da Câmara, o que está a limitar, completamente, a margem que temos para fazer outro tipo de obras. Enquanto estamos a fazer os projetos das restantes obras que temos de fazer no âmbito da tempestade, vamos utilizar o empréstimo também para concluir o pavilhão, para termos margem, para depois, quando os projetos estiverem concluídos, lançarmos essas obras”, declarou.
De acordo com André Sousa, o município não pode estar à espera dos projetos que faltam para avançar com a recuperação do concelho.
“Não podemos estar à espera do dinheiro da seguradora, não podemos estar à espera de eventuais apoios do Governo (…). Precisamos de ter liquidez para iniciar obras”, frisou.
Os prejuízos em infraestruturas municipais da Batalha, como rede viária, edifícios ou saneamento básico, devido ao mau tempo, estão contabilizados em 16,5 ME.
Até ao momento, a autarquia recebeu um adiantamento de 300 mil euros da seguradora, aguardando ainda o relatório final dos danos.
Entretanto, o município assinou, na semana passada, um protocolo com o Fundo Ambiental para intervenções de 660 mil euros em linhas de água que registaram danos, montante que vai ser 100% adiantado à autarquia.
Já na semana passada, a Câmara foi ressarcida, pela E-Redes, principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, das despesas que teve de realizar devido ao corte de energia, num montante de 126 mil euros, sobretudo despesas de combustível para geradores, esclareceu André Sousa.







