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Sabemos o que celebramos?

Abril 8, 2026 . 18:00
Opinião: “Vivemos num país laico, onde cada um é livre de acreditar — ou não — naquilo que entender. E isso é um valor importante que deve ser respeitado. Mas essa liberdade não nos impede de refletir sobre o significado das datas que assinalamos, sobretudo quando paramos, celebramos e até organizamos a nossa vida em função delas”.

Todos os anos, nesta altura, o calendário traz-nos dois momentos marcantes: a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa. Para muitos, significam apenas um fim de semana prolongado. Para outros, são dias de tradição, família e encontro. Mas, no meio de tudo isto, fica uma pergunta simples: sabemos o que estamos realmente a celebrar?
A palavra “Páscoa” significa passagem. Para os cristãos, representa a passagem da morte para a vida, através da ressurreição de Jesus Cristo. Mais do que um acontecimento histórico ou religioso, é uma mensagem que atravessa séculos e continua a ser recordada ano após ano, mantendo um significado que vai muito além do simbolismo.
Vivemos num país laico, onde cada um é livre de acreditar — ou não — naquilo que entender. E isso é um valor importante que deve ser respeitado. Mas essa liberdade não nos impede de refletir sobre o significado das datas que assinalamos, sobretudo quando paramos, celebramos e até organizamos a nossa vida em função delas.
Se celebramos a Páscoa, mesmo que de forma cultural ou tradicional, talvez valha a pena ir um pouco mais além e perceber o que está na sua origem. Não para impor crenças, mas para compreender melhor aquilo que repetimos, muitas vezes, quase por hábito, sem grande reflexão.
Para quem acredita, a ressurreição representa vitória sobre a morte, esperança renovada e a promessa de vida eterna. Representa também um recomeço, uma nova oportunidade, um sentido maior para a vida. Para quem não acredita, pode ainda assim ser um momento para refletir sobre o tempo que temos, sobre as escolhas que fazemos e sobre o valor que damos a cada dia que vivemos.
Talvez o mais curioso seja isto: falamos frequentemente de viver melhor, de procurar sentido, de valorizar o presente, de sermos mais felizes… mas raramente paramos para pensar no significado profundo de uma das datas mais simbólicas do calendário que seguimos todos os anos.
Não se trata de discutir fé, nem de estabelecer quem tem razão. Trata-se apenas de uma coisa simples: pensar. Pensar no que celebramos, pensar no porquê de celebrarmos e, sobretudo, pensar se aquilo que celebramos tem alguma influência na forma como vivemos.
Se a Páscoa fala de vida, então talvez valha a pena perguntar se estamos realmente a valorizar a vida que temos. Se fala de esperança, talvez devêssemos refletir sobre a forma como enfrentamos as dificuldades. Se fala de recomeço, talvez seja uma oportunidade para rever atitudes, corrigir caminhos e dar um novo sentido ao dia a dia.
Porque, no final, a questão pode não estar apenas na existência ou não de fé, mas na coerência entre aquilo que valorizamos e aquilo que fazemos com isso. Celebrar sem compreender pode tornar-se apenas rotina. Compreender, mesmo que parcialmente, pode transformar a forma como olhamos para a vida.
Talvez a Páscoa não seja apenas para ser assinalada no calendário. Talvez seja um convite silencioso a parar, a pensar e a olhar para dentro — e, quem sabe, a viver de forma diferente.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Mas isto sou eu.

Abril 8, 2026 . 18:00

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