
Retiradas quase 3 toneladas de resíduos de parques informais pós-Kristin
A remoção de milhares de toneladas de resíduos dos parques informais criados no concelho de Leiria está a evidenciar a verdadeira dimensão do impacto causado pelas tempestades que atingiram a região no início do ano. O balanço é feito por Luís Lopes, vereador da Câmara Municipal com o pelouro da Limpeza Pública e Resíduos Sólidos Urbanos, que destaca os números já alcançados no terreno.
Até ao momento, foram retiradas “2.877 toneladas de resíduos” apenas nos nove parques já totalmente intervencionados, um valor que confirma a estimativa inicial da autarquia de que estes espaços concentrariam cerca de 10 mil toneladas. “Estamos muito próximo da realidade que tínhamos previsto”, sublinhou o responsável.
No total, foram criados “33 parques de resíduos informais”, estruturas com enquadramento legal excecional, que permitiram concentrar e encaminhar os materiais provenientes de particulares para tratamento adequado. Na reunião descentralizada do executivo que decorreu na passada segunda-feira, Luís Lopes destacou que dos 33 parques, nove já foram totalmente intervencionados, três encontram-se em fase de intervenção, dez tiveram intervenções parciais — sobretudo ao nível da remoção de fibrocimento — e onze ainda não foram alvo de qualquer ação.
“Dos 33 parques, priorizamos aqueles próximos de aglomerados, de vias de circulação e de áreas florestais”, detalhou o vereador.
A quantidade de resíduos já recolhida reflete não só os estragos provocados pelas intempéries, mas também a pressão adicional sobre os sistemas de recolha no concelho. Entre 28 de janeiro e 28 de fevereiro deste ano, foram recolhidas 7.817 toneladas de resíduos pelas entidades responsáveis, um aumento de mais de três mil toneladas face ao mesmo período do ano passado, sem contar com os parques informais.
Perante estes números, o autarca reconhece que o processo está longe de concluído. A meta passa por eliminar praticamente todos os parques até ao final do mês, podendo ir até maio, num trabalho que continua a exigir meios e coordenação entre várias entidades. Paralelamente, a Câmara de Leiria diz ter alertado o Governo para a necessidade de apoio no tratamento e financiamento deste volume excecional de resíduos. “A ministra do Ambiente já esteve cá em Leiria e manifestou a disponibilidade de encontrar soluções quer para o tratamento quer também para pensar no financiamento deste acréscimo de resíduos que estas tempestades vieram trazer”, contou.
Outro desafio prende-se com a continuidade de deposições indevidas em alguns destes locais, situações que já foram comunicadas às autoridades. “Infelizmente, há casos que não estão relacionados com as tempestades”, referiu o vereador.
“A última coisa que queremos é ter um cenário como no ano passado de resíduos depositados em áreas florestais espalhadas pelo concelho de Leiria”, apontou.
Entre os resíduos recolhidos, destaca-se a presença significativa de fibrocimento, material que contém amianto e exige tratamento especializado. A autarquia tem apelado à população para evitar o seu manuseamento, garantindo que nos parques estes materiais estão separados e, sempre que possível, cobertos, reduzindo riscos para a saúde pública.








