
Câmara de Leiria registou em 2025 resultado positivo de 5,2 ME
A Câmara de Leiria terminou 2025 com um resultado líquido positivo de 5,24 milhões de euros (ME), com a maioria socialista a realçar a “redução consistente do endividamento”, enquanto o PSD considera que é gastadora e excessivamente tributária.
“Em 2025, o município registou um resultado líquido positivo de 5,24 milhões de euros, um saldo global de 41,37 milhões de euros e uma poupança corrente superior a 33,3 milhões de euros”, lê-se numa nota de imprensa enviada pela autarquia, segundo a qual o exercício do ano passado “fica marcado por uma redução de cerca de 17% da dívida face ao ano anterior e por um prazo médio de pagamento a fornecedores de apenas quatro dias, um dos mais baixos do país”.
Os documentos de prestação de contas relativos a 2025 tiveram os votos favoráveis dos vereadores do PS e votos contra dos vereadores do PSD e do Chega.
“Mas mais do que um conjunto de indicadores financeiros, os resultados de 2025 devem hoje ser lidos à luz daquilo que o concelho viveu recentemente. Nos dias mais exigentes da tempestade Kristin, com milhares de ocorrências, famílias afetadas e serviços sob enorme pressão, aquilo que fez a diferença foi a capacidade de resposta”, adianta a nota de imprensa.
Para a maioria, os resultados alcançados no ano passado permitiram “margem para agir, para apoiar e para decidir sem bloqueios num momento crítico”.
“A redução consistente do endividamento, cerca de 89% nos últimos 15 anos, foi igualmente determinante para garantir essa autonomia”, refere, para sublinhar que, “num cenário de emergência, um município endividado ficaria limitado na sua capacidade de intervenção”.
De acordo com a nota, “também o prazo médio de pagamento de quatro dias assume particular relevância neste contexto, permitindo manter a confiança dos fornecedores e assegurar que empresas locais continuaram a ter liquidez num momento de grande exigência, contribuindo para a estabilidade da economia do concelho”.
No âmbito do investimento, a Câmara salienta que “manteve o investimento no território, com um Plano Plurianual que absorveu mais de 38 milhões de euros, reforçando as transferências para as freguesias e assegurando continuidade em áreas essenciais como educação, mobilidade, proteção civil, ação social e requalificação de infraestruturas”.
Na declaração de voto, os vereadores do PSD notam que “as contas de 2025, onde se regista o maior aumento de carga fiscal imobiliária desde 2019, mantém o modelo de gestão financeira que revela uma Câmara gastadora, excessivamente tributária e com uma reduzidíssima preocupação com o investimento público”.
“O ano de 2025 foi o que registou o maior aumento do IMT [Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis], 41,4% e do IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis] em 10%, assinalando que o aumento do IMT é “um escândalo fiscal”, pois “é um indicador inequívoco de uma política discricionária de licenciamentos, sobretudo de natureza urbana, e que acentua as disfuncionalidades da cidade, nomeadamente a mobilidade”, adianta.
Os sociais-democratas salientam ainda que, em 2025, ficaram por executar quase 13 ME de investimento público, “suportando assim um padrão comportamental de cerca de 33% de não execução em investimento”.
“A Câmara de Leiria não investe, não por falta de dinheiro, mas por incapacidade operacional”, defende o PSD, alertando que “a receita proveniente da derrama registou uma diminuição entre 2024 e 2025, passando de 7.404.478 euros para 6.769.452 euros, o que representa uma redução de 635.026 euros”.
Para os vereadores do PSD, “esta variação evidencia um abrandamento da atividade económica local, traduzindo-se numa menor geração de lucros por parte das empresas e, consequentemente, numa diminuição da base tributável associada a este imposto”, indicador que “deve merecer preocupação, sobretudo por se juntar aos impactos negativos já provocados pela tempestade Kristin na economia local”.







