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Plastidom alerta para prejuízos de milhões não cobertos após a depressão Kristin

Comitiva da Assembleia da República foi confrontada com as dificuldades da empresa.

O Grupo Plastidom, detentor das empresas Plastidom – Plásticos e Domésticos, SA, e Domplex Logis – Gestão de Suportes Logísticos, SA, estima prejuízos superiores a dois milhões de euros na sequência da depressão Kristin, entre danos diretos e quebra de faturação.
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e a respetiva comitiva, foram confrontados, na visita à empresa Domplex, na Barosa, com as dificuldades sentidas pelo grupo na sequência da tempestade, cujos efeitos ficaram evidentes no terreno.
Com cerca de 180 trabalhadores em Leiria, o grupo estimou danos estruturais na ordem de 1,5 milhões de euros, sobretudo em coberturas, painéis solares e componentes elétricos, a que se soma uma quebra de faturação de cerca de um milhão de euros.
Com 93 anos, o presidente do grupo, Ilídio Rufino, acompanhou toda a visita, sublinhando a capacidade de resistência da empresa. “Demos a volta, cá estamos, a trabalhar, a produzir, a criar. Julgo que estamos a servir a economia nacional e a região”, afirmou.
Questionado por Aguiar-Branco sobre se a empresa já recuperou totalmente dos danos, Ilídio Rufino admitiu que a recuperação ainda está em curso, marcada pela perda de faturação e pelos dias em que as máquinas de produção estiveram paradas. “Choveu nas instalações. O nosso pessoal tapou as máquinas e fizeram os possíveis. Fomos dando a volta e cá estamos”, realçou.
Também o diretor financeiro do grupo, João Russo, explicou que a empresa esteve cerca de três semanas sem conseguir produzir, não por falta de capacidade, mas devido à falha de infraestruturas elétricas. “Só havia energia assegurada por geradores para consumo doméstico e não nos autorizavam a ligar as máquinas”, disse. Apesar das dificuldades, a empresa recorreu a soluções de recurso.
“Demos a volta com soluções muito ‘à portuguesa’ e conseguimos superar os problemas”, acrescentou.
No plano dos apoios, a Plastidom beneficiou de medidas como a isenção de contribuições, com um impacto estimado em cerca de 250 mil euros.
Ainda assim, alertou para perdas que não serão totalmente cobertas. “O que nos falta são apoios para, de alguma forma, mitigar as perdas extraordinárias que vamos levar a resultados este ano. Teremos perdas, que não serão inferiores a um milhão de euros, que os seguros não cobrem”, afirmou João Russo, estimando que as indemnizações possam abranger apenas cerca de metade dos danos.
Outro dos entraves identificados prende-se com as condições impostas pelas seguradoras. “Os seguros estão muito focados na reposição tal e qual como estava, mas nós queremos repor com mais resiliência”, adiantou, dando como exemplo a necessidade de reforçar coberturas e sistemas como os painéis solares, que foram arrastados pelo vento.
Os responsáveis defenderam ainda maior rapidez na operacionalização de instrumentos como o PTRR (PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência), sublinhando a necessidade de respostas mais ágeis para mitigar perdas extraordinárias.

Abril 22, 2026 . 11:00

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