
Resposta de emergência do património em destaque na Marinha Grande
Especialistas, investigadores, técnicos e responsáveis institucionais estiveram reunidos na Marinha Grande para refletir sobre o papel do património cultural em contextos de conflitos, alterações climáticas e desastres naturais.
Sob o tema ‘Património vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres’, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios assumiu especial relevância na Marinha Grande, concelho recentemente afetado por fenómenos meteorológicos extremos que causaram impactos significativos no património cultural, edificado e paisagístico.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, destacou os danos sofridos por vários equipamentos culturais e pelo Pinhal do Rei, enquanto elemento estruturante da paisagem e da identidade local, alertando para a fragilidade do património face aos eventos extremos.
“A resposta rápida das equipas no terreno, o envolvimento das instituições e a solidariedade entre cidadãos demonstram que o património vive através das pessoas — e é por elas que deve ser protegido”, acrescentou.
Paulo Vicente reforçou que “proteger o património é, hoje, também preparar o futuro”. “É investir em planeamento, prevenção e cooperação, garantindo que as próximas gerações herdam não apenas memória, mas também a capacidade de a preservar”, disse.
Já o presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, João Soalheiro, alertou que "as alterações climáticas colocam desafios concretos à nossa capacidade de atuação e, para agir, é preciso pensar e conhecer o território”. “O património cultural não divide, agrega, e só faz sentido se for vivido no terreno”, salientou.
Considerando que o património “ainda não é resiliente”, defendeu “uma verdadeira cultura de planeamento, manutenção e proximidade, que envolva todos os agentes — do poder local às comunidades”.
Por sua vez, o presidente do ICOMOS Portugal, Orlando Sousa, enquadrou a reflexão no contexto internacional, sublinhando que o património cultural está hoje particularmente exposto a conflitos e eventos climáticos extremos, o que exige uma articulação permanente entre proteção, planeamento e ação.
“Este é um caminho que tem de ser feito em paralelo, envolvendo museus, monumentos, sítios arqueológicos e o território. A execução do PRR no património cultural, que se encontra numa fase muito avançada, foi uma tarefa hercúlea, mas essencial para discutir o que deve ser a administração pública do futuro: mais resiliente, mais preparada e mais próxima”, afirmou.
O programa integrou uma visita ao Museu do Vidro/Palácio Stephens, seguida de conferências e painéis temáticos dedicados à recuperação do património afetado por desastres, aos cenários climáticos e impactos esperados em Portugal, aos riscos para o património arqueológico e ao contributo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a resiliência do património cultural.









