
Depressão Kristin e democracia marcam discurso do 25 de Abril na Marinha Grande
A deputada da Assembleia Municipal da Marinha Grande do Partido Socialista (PS), Ana Catarina Carlos, aproveitou as comemorações do 25 de Abril de 1974 para deixar um apelo direto à participação cívica e à coragem coletiva, num discurso marcado por referências à atualidade social e aos desafios locais.
Perante uma assembleia composta por autarcas e munícipes, a deputada sublinhou que Abril “não é apenas uma data no calendário”, mas sim o momento fundador das liberdades democráticas em Portugal, do voto livre à liberdade de expressão, passando pelos direitos laborais, a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde. Ainda assim, alertou para o risco de acomodação: “é precisamente por vivermos em liberdade que não podemos cair na ilusão de que ela está garantida”.
Num tom crítico, apontou o crescimento de discursos de ódio e a normalização de posições extremistas no espaço público, defendendo que “a liberdade não se constrói contra os outros, constrói-se com os outros”. Rejeitou, por isso, a banalização de fenómenos como o racismo, a xenofobia, o machismo ou a homofobia, considerando que defender Abril implica recusar retrocessos civilizacionais.
Grande parte da intervenção foi dedicada às gerações mais jovens. Ana Catarina Carlos questionou a ideia de que a liberdade está plenamente assegurada para quem nasceu em democracia, destacando dificuldades concretas como a precariedade laboral e a impossibilidade de sair de casa dos pais. “Quando um jovem não consegue construir um futuro digno, a liberdade fica incompleta”, afirmou, defendendo que a liberdade deve traduzir-se em condições reais de vida.
O discurso ganhou uma dimensão local com a referência à depressão Kristin, que atingiu gravemente o concelho da Marinha Grande. A deputada do PS recordou os estragos e dificuldades causados, mas destacou sobretudo a resposta da comunidade: “Vimos vizinhos a ajudar vizinhos”, disse, elogiando a ação conjunta de associações, proteção civil e cidadãos. Para Ana Catarina Carlos, este episódio revelou “o melhor de nós” e mostrou que a solidariedade é a resposta mais eficaz face à adversidade e também aos discursos de divisão.
A encerrar, deixou um apelo claro à ação: celebrar Abril não deve ser apenas um exercício de memória, mas um compromisso com o presente. “A resposta tem de ser coragem”, afirmou, defendendo uma participação ativa na vida democrática e políticas orientadas para resultados concretos.








