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Celebrar o Dia do Município é “homenagem à resiliência dos marinhenses”

Num ano marcado por perdas e adaptações, o presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, garante que o Dia do Município mantém o seu significado: preservar uma tradição centenária, reforçar a identidade coletiva e afirmar a capacidade de superação de um concelho que se recusa a parar

Diário de Leiria Que significado tem para o concelho assinalar o Dia do Município numa altura tão sensível?
Paulo Vicente A Quinta-Feira da Ascensão, que é o feriado municipal da Marinha Grande, já é uma tradição, nasceu com os vidreiros, em que as famílias e os grupos de amigos se juntavam e iam para a floresta. Está fora de questão alguma vez nós alterarmos esta tradição que está bastante enraizada na comunidade marinhense, já é histórica em todo o concelho, não só na freguesia da Marinha Grande, mas também na Vieira, e na Moita. Infelizmente, este ano não temos a floresta em condições de ser fruída pelos munícipes, mas temos o Parque da Cerca. A Junta de Freguesia da Marinha Grande vai promover o piquenique neste espaço, sendo este o único parque que temos disponível. A Câmara associa-se, sendo esta a primeira vez que os munícipes podem festejar depois do que nos aconteceu e esperemos que ocorram à festa do piquenique e às atividades que vão ser proporcionadas. Assinalar o Dia do Município numa fase exigente é, acima de tudo, um ato de afirmação coletiva. É um momento para reforçar a identidade da Marinha Grande, homenagear a resiliência dos marinhenses e recordar que, mesmo em contextos difíceis, somos uma comunidade com capacidade de superação e coesão.

De que forma esta efeméride mobiliza a comunidade local? Que tipo de participação tem observado?
O Dia do Município é assinalado habitualmente com mobilização dos cidadãos que em família ou em grupos de amigos se reúnem no Pinhal do Rei para partilha de piquenique e momentos convívio. Tal como habitualmente esperamos uma forte participação da comunidade, que vê nesta celebração uma oportunidade de encontro, de partilha e de valorização do trabalho desenvolvido ao longo do ano.

A celebração acontece após a passagem da depressão Kristin. De que forma isso influenciou a organização das comemorações?
Tivemos de fazer algumas adaptações de acordo com o espaço. No Parque das Merendas e na floresta, no pinhal, as pessoas andavam mais livres, tinham muito mais espaço, tinham muito mais convívio, e sombras. As árvores sofreram algumas quebras, nos parques, principalmente o Parque Mártires do Colonialismo e o Parque da Cerca também sofreu algumas, mas não tanto. Vamos ter sombras e vamos ter um bom Dia da Espiga. A passagem da depressão Kristin obrigou a ajustes na programação, com uma maior preocupação com a segurança e com a adequação dos espaços. Ao mesmo tempo, deu ainda mais significado às comemorações, que assumem também um caráter simbólico de recuperação e continuidade.
A população pode encarar esta celebração como um sinal de retoma e esperança?
Sim, sem dúvida. Não quisemos deixar de assinalar este dia apesar das limitações existentes por exemplo ao nível do Teatro Stephens onde, em condições normais, faríamos a sessão de homenagem aos marinhenses que se destacaram nas diversas áreas e também aos trabalhadores da autarquia. Assim, resolvemos retomar esta sessão no ano que vem e associarmo--nos à Junta de Freguesia da Marinha Grande que organiza todos os anos esta efeméride no pinhal, recreando no Parque da Cerca o Pinhal do Rei, local de piqueniques e convívio fraterno. Esta singela comemoração representa um sinal claro de que o concelho está em movimento, a recuperar e a olhar para o futuro com confiança. É uma mensagem de esperança e de união.

E expectativas para o piquenique organizado pela junta, com o apoio da câmara?
Esperemos que venham todos, que rumem ao Parque da Cerca, até porque não há recantos na mata que tenham segurança, e portanto apelamos às pessoas para não irem para os pinhais, mas sim virem para o Parque da Cerca. Destaco fundamentalmente o propósito de manter vivas as nossas tradições mesmo num contexto tão adverso como aquele que ainda vivemos depois da passagem do ‘comboio’ de tempestades. Haverá animação cultural, mas é mais um espaço de convivência entre famílias, entre amigos. Mais do que o local, o importante é preservar o espírito de convívio e de tradição associado a este dia.

Como o município está a pensar recuperar esses espaços?
É uma questão que se encontra em estudo. A nossa preocupação agora passa pela necessidade de limpeza e abertura de caminhos, para depois passarmos à fase da requalificação destes espaços.

Que mensagem deixa à população neste Dia do Município?
Uma mensagem de gratidão, confiança e compromisso. Que, retomando ou continuando com a tradição, venham apanhar a espiga ao Parque da Cerca e que continuemos, como nos momentos de maior aflição, unidos e solidários uns com os outros e manifestemos essa solidariedade também nestes momentos de convívio, que são muito salutares para todos os munícipes. A Marinha Grande tem uma comunidade forte, solidária e participativa, e é com todos que continuaremos a construir um concelho mais coeso e com futuro.

Há 130 ME em prejuízos para recuperar. Que compromissos de campanha são mais urgentes?
O que temos elencado de mais urgente é olhar para a nossa Proteção Civil, são apenas três elementos, e facultar-lhe todos os meios para que possam trabalhar. Chegamos à conclusão, com a análise que fizemos no rescaldo das tempestades, que há falta de meios mecânicos, há falta de máquinas, e iremos trabalhar nesse sentido: adquirir máquinas para as disponibilizar para esse efeito.

Quais são as áreas em que a câmara está a concentrar os seus esforços atualmente?
A elaboração dos projetos, nomeadamente do novo Mercado Municipal, localizado no Parque Municipal de Exposições, que foi totalmente destruído e que é uma das nossas promessas eleitorais, já tem uma equipa de projetistas externos a fazer o primeiro ante-projeto, e depois seguir-se-ia o projeto. Também a remodelação do Mercado Municipal da Praia da Vieira, que já estava degradado, mas que ficou mais com a depressão, onde iremos fazer algumas obras de melhoramento e de segurança ainda antes da época balnear. O vereador da área da Cultura também está em contacto com diversos gabinetes para a recolha de informações para a elaboração dos projetos de remodelação e de recuperação dos museus: o Museu Joaquim Correia, o Museu do Vidro e também da Casa Afonso Lopes Vieira, na Praia de São Pedro [de Moel].

De que forma a depressão Kristin afeta o futuro dos investimentos?
Temos 130 milhões de euros de prejuízos que temos que recuperar. Por isso é que nós reivindiquemos junto o Governo a disponibilização de meios financeiros para não ficarmos para trás. Numa situação normal, os nossos próprios meios financeiros e até com recurso ao crédito, poderíamos ir fazendo estes novos investimentos, mas temos esta agravante dos 130 milhões de euros de equipamentos que estavam a ser utilizados, mas que temos de recuperar para a satisfação das populações.

Como avalia a qualidade de vida no concelho?
A Marinha Grande apresenta bons indicadores de qualidade de vida, e as estatísticas dizem que está acima da média nacional, mas há ainda desafios a superar, nomeadamente na habitação, mobilidade e serviços de proximidade. Compete-nos criar condições para que se mantenha ou evolua esse nível de vida das populações e, sobretudo criar atrativos para captarem mais população, mais técnicos que as nossas indústrias necessitam e mais jovens.

Há medidas previstas para habitação acessível?
Já foi deliberada na Câmara e na Assembleia Municipal, a autorização para a criação da agência Viver-Leiria, a nível da CIMRL [Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria], para a construção de habitação a preço de rendas acessíveis, para jovens, para funcionários e para atrair aos nossos territórios estes profissionais. É uma das situações que nos tem reportado, por parte dos empresários, que se bate com ‘O que é que podemos fazer para construir, para atrair e para a fixação de jovens técnicos para a nossa indústria’. Passa por ter boas escolas, passa por boa habitação, por habitação acessível, passa por oferta cultural diversificada. É dentro deste pacote que nós temos que centrar as nossas atenções e as nossas prioridades, não só para satisfazer a população já residente, mas para atrair, sobretudo jovens e para que eles se fixem cá.

Que investimentos está a Câmara a fazer no âmbito da saúde e da educação?
São áreas prioritárias, onde continuamos a trabalhar em articulação com as entidades competentes para melhorar respostas e infraestruturas. Está em fase de adjudicação dos projetos para a remodelação do Centro de Saúde da Marinha Grande e para a construção da nova Extensão de Saúde na Vieira. Estamos a elaborar os projetos para que quando forem abertos os concursos de financiamento a nível dos fundos europeus, possamos concorrer. Mas ainda para este ano, vamos adquirir estruturas modelares para instalar uma Unidade de Saúde Familiar na Marinha Grande, que está no Centro de Saúde e que está a trabalhar em péssimas condições, para dar condições de trabalho aos profissionais, aos médicos, aos enfermeiros, aos administrativos e também, sobretudo, aos utentes.
Já reunimos com os profissionais de saúde para ver as necessidades, para escoltar a sua opinião e depois para trabalhar. Aliás, como nas escolas. Nas escolas as obras são idealizadas, mas não avançam, nem chegam a projetos sem ter a opinião e a troca de impressões com os diretores, com os órgãos de gestão dos agrupamentos de escola. Temos a elaboração dos projetos para a escola Padre Franklin, na Vieira e para a escola Guilherme Stephens. Está em andamento a escola João Beare, estamos a fazer o levantamento das necessidades daquelas obras que fizemos para estabelecer a segurança nas escolas do primeiro ciclo após a tempestade, para fazermos obras mais robustas durante a interrupção da atividade letiva dos meses de verão. Está também a decorrer a recuperação da escola Pinhal do Rei, e a residência dos estudantes também está em construção na antiga Albergaria Nobre.

No final do mandato, como gostaria que o concelho estivesse diferente?
Mais coeso, mais sustentável, com melhor qualidade de vida e com cidadãos que sintam orgulho na Marinha Grande e confiança no futuro.

Maio 14, 2026 . 08:00

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