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Da estagnação à ação: associação quer dar nova vida à Praia da Vieira

Da necessidade de agir perante o sentimento de abandono nasceu a ADPV, uma associação que quer mobilizar a comunidade para devolver vida, dignidade e futuro à Praia da Vieira.

A criação da ADPV – Associação para o Desenvolvimento Sócio Cultural da Praia da Vieira, em fevereiro de 2024, nasceu de um sentimento de urgência perante o “marasmo” sentido na Praia da Vieira. “Sentimos a necessidade de evolução e desenvolvimento”, afirma o presidente, Carlos Monteiro. 

Composta atualmente por 17 elementos, a associação assume uma missão ambiciosa e clara de transformar a Praia da Vieira de forma sustentável. O objetivo passa por “incentivar o desenvolvimento económico, cultural e social integrado e sustentável da comunidade”, alinhando vontades e promovendo “uma postura positiva e socialmente ativa” entre associações e instituições, de forma a dinamizar projetos e estratégias que afirmem aquela zona costeira como “uma praia de eleição”. 

Entre os principais desafios identificados para o desenvolvimento da Praia da Vieira, o responsável destaca a ausência de uma visão estruturada para o futuro. “Falta de modernização, falta de soluções com uma visão a 20 anos”, aponta Carlos Monteiro, sublinhando ainda a dificuldade em combater a sazonalidade: “Falta de valor e oferta de soluções que possam combater o período fora da época balnear, pois o inverno é longo”. 

Recentemente, a ADPV enfrentou um teste de fogo e a vulnerabilidade da comunidade ficou particularmente evidente com a passagem da depressão Kristin, cujo impacto foi descrito como “violento”. “Muitas pessoas e comércios sofreram danos elevados sem capacidade de os reparar por falta de condições financeiras”, recorda. 

Perante este cenário, a resposta da ADPV passou pela mobilização coletiva. Com recurso a ações de limpeza de ruas, contando com voluntários da comunidade e vindos de todos os cantos do país e alguns mesmo de outros países, detalha Carlos Monteiro. As iniciativas foram viabilizadas através de campanhas de angariação de fundos, promovidas pela associação e também por terceiros, com o objetivo de apoiar a recuperação da Praia da Vieira. 

A experiência revelou-se marcante para uma estrutura ainda recente. “Aprendemos muito, mesmo muito…”, admite o presidente. Entre as lições, destaca a disponibilidade solidária de muitos voluntários de dentro e de fora da comunidade que estão “100% disponíveis para ajudar”, mas deixa também uma reflexão crítica ao considerar que “o ser humano cada vez mais está mais egoísta”. 

A participação nas iniciativas promovidas pela associação tem sido abrangente, já que há voluntários de todas as idades e gerações, independentemen­te do sexo e nacionalidade. Ain­da assim, mobilizar voluntários continua a ser um desafio. “É mais fácil ficarem no ‘Jornal do Calhandro’ (Facebook) a criticar, que dar umas horas do seu tempo para ajudar a comunidade!”, aponta. 

Ainda assim, entre os aspetos mais surpreendentes, o dirigente destaca o envolvimento de pessoas sem ligação direta à terra: “A entrega de todos aqueles sem raízes à nossa Praia da Vieira e que se entregaram como se tivessem cá nascido!”. 

Nos próximos meses, a ADPV pretende dar continuidade ao trabalho no terreno, ou seja, desenvolver ações de limpeza de ruas (a próxima é já dia 16 de maio), continuar a monitorizar os estragos e reportar a quem de direito para “devolver à Praia da Vieira a beleza e dignidade que merece”. 

Por isso mesmo, o futuro é encarado com ambição, já que a ADPV pretende ser “reconhecida como associação de referência e de elevado grau de credibilidade sociocultural local, regional e nacional”, contribuindo para “melhorar a qualidade de vida da comunidade local e todos aqueles que nos visitam”. 

No contexto do Dia do Município, a mensagem final é de união e resiliência. “Não desistam! O que não nos mata só nos fortalece. O importante é estarmos todos juntos por uma causa comum — a Praia da Vieira precisa de todos!”, conclui Carlos Monteiro. 

Maio 15, 2026 . 09:30

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