
Teatro da Rainha apresenta 'Órfãos' e 'A Árvore que Sangra' no palco dos Artistas Unidos
O Teatro da Rainha vai levar ao Teatro Paulo Claro, casa dos Artistas Unidos, em Lisboa, 'Orfãos' e 'A Árvore que Sangra', duas peças que marcam a agenda de digressões da companhia das Caldas da Rainha, durante os meses de maio e junho.
Depois da estreia, em novembro de 2025 nas Caldas da Rainha, e de apresentações esgotadas no Teatro das Beiras (Covilhã) e no Teatro de Vila Real, em fevereiro deste ano, 'Órfãos', de Dennis Kelly, estará no Teatro Paulo Claro, casa dos Artistas Unidos, em Lisboa, de 27 a 30 deste mês.
A peça de Dennis Kelly, encenada por Henrique Fialho, mostra um “jantar romântico convertido em laboratório do mal”, quando o jantar de Danny e Helen é subitamente interrompido pela chegada do irmão desta, coberto de sangue.
Segundo a sinopse divulgada pelo Teatro da Rainha, “o primeiro instinto de Danny é chamar a polícia, mas Helen pede a Danny que não o faça”, alegando que o irmão tem cadastro e que a polícia pode desconfiar dele.
Entre as mentiras do irmão, Liam, as ameaças de Helen e as tentativas de manipulação de ambos para que Danny não chame a polícia, “de cena para cena, os laços familiares vão-se deteriorando” ao longo do jantar e a discussão das decisões sobre se devem ajudar o rapaz ferido ou proteger a família vão “estilhaçando por completo, com os instintos humanos mais básicos, a possibilidade de uma vida doméstica pacífica”.
Neste “jantar romântico convertido em laboratório do mal”, com “diálogos impressionantemente bem concebidos, a trama desenrola-se através de uma sucessão de argumentos, lapsos e falácias, típica dos ‘thrillers’ psicológicos cuja marca essencial é o suspense que garante tensão do princípio até ao fim”, explica o Teatro da Rainha numa nota às redações.
A discussão dos três é o mote para questionar “a volatilidade dos laços familiares, as fraturas sociais, a criminalidade, o aborto, os efeitos da imigração, o racismo, a tortura, a alienação da consciência moral e dos valores que a sustentam”, pode ler-se no texto sobre a peça de Dennis Kelly, autor de séries como 'Utopia' e 'The Third Day', vencedor dos prémios BAFTA, Emmy e Tony.
A peça, com a interpretação de Fábio Costa, Inês Barros e Tiago Moreira, cenografia de José Carlos Faria e desenho de luz de Hâmbar de Sousa, pode ser vista no dia 27, às 19:30, e de 28 a 30 de maio, às 21h00.
Em junho, a digressão do Teatro da Rainha, companhia residente nas Caldas da Rainha (no distrito de Leiria), prossegue com 'A Árvore que Sangra', do premiado dramaturgo australiano Angus Cerini, pela primeira vez representado em Portugal.
A obra, que conta a história de um parricídio, em que mãe e filhas matam o pai, valeu a Cerini o Prémio Griffin de dramaturgia, em 2014. A peça, que foi levada à cena pela primeira vez em Sydney (Austrália), foi considerada “excelente” pelo jornal britânico The Guardian.
A peça passa-se numa quinta no interior rural australiano e a inicia-se com um tiro que ressoa na noite silenciosa: três mulheres, uma mãe e duas filhas, levadas pelo desejo de vingança contra os maus-tratos e abusos de que foram vítimas anos a fio, acabam de matar o pai de família.
“O que fazer ao cadáver?” é questão que se discute em palco, ao longo da peça que leva a refletir sobre violência doméstica, abuso sexual, machismo extremo e “sobre os silêncios de uma comunidade condescendente com a crueldade próxima”, divulgou o Teatro da Rainha, aquando da estreia desta coprodução no Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha, em março deste ano.
Com tradução e dramaturgia de Isabel Lopes, 'A árvore que sangra' conta com encenação de Fernando Mora Ramos e interpretações de Isabel Lopes, Mafalda Taveira e Marta Taveira.
Pode ser vista no Teatro Paulo Claro nos dias 04, 05 e 06 de junho, sempre às 21h00.







