
Turismo interno é “estrutural” para recuperar os territórios devastados
A nova campanha ‘Não procures mais longe. Encontra o teu país’ do Turismo de Portugal foi apresentada ontem, no Castelo de Porto de Mós, com um apelo claro aos portugueses: escolher Portugal como destino de férias e contribuir para a recuperação dos territórios afetados pelas tempestades que atingiram o país no início do ano. Durante a sessão, responsáveis do setor turístico, autarcas e membros do Governo defenderam o turismo interno como motor económico, instrumento de coesão territorial e resposta concreta à recuperação das regiões mais atingidas.
O presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, sublinhou que a campanha surge da necessidade de “dar uma resposta clara e rápida” perante os danos causados pelos fenómenos climatéricos registados entre janeiro e fevereiro. “Ao fazê-lo, afirmamos a confiança nos territórios e nos portugueses”, disse, acrescentando que o turismo pode assumir-se como “um promotor ativo e por excelência do processo de recuperação do país”.
Durante a intervenção, o responsável destacou o peso do setor turístico na economia nacional. Segundo Carlos Abade, Portugal ultrapassou em 2025, os 82 milhões de dormidas e os 29 mil milhões de euros de receitas turísticas, consolidando-se como o 12.º destino turístico mais competitivo do mundo. “O turismo interno não é complementar, é referente estrutural para a estabilidade, crescimento e resiliência do setor turístico”, afirmou Carlos Abade.
A região Centro foi apontada como exemplo da importância deste mercado, já que cerca de 60% da procura turística local resulta de visitantes nacionais. Para o presidente do Turismo de Portugal, esta realidade demonstra o papel do turismo na dinamização das economias locais e na distribuição da atividade turística pelo território.
O responsável defendeu ainda que viajar dentro do país tem também uma dimensão social e cultural. “Quando viajamos dentro de Portugal, não estamos apenas a visitar lugares, estamos a conhecer melhor as pessoas, as culturas, as identidades locais e as tradições”, disse.
Também o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, destacou a importância da iniciativa para manter a visibilidade das regiões afetadas pelas tempestades e evitar que caiam no esquecimento. “A região de Leiria precisa de vocês”, afirmou, dirigindo-se aos portugueses. “Continua a ser uma região com o mesmo encanto de que antes”, rematou Jorge Vala.
O autarca sublinhou ainda a capacidade de recuperação das populações locais e o papel das pessoas enquanto principal ativo turístico da região. “Temos pessoas fantásticas que sabem receber como ninguém”, disse.
A campanha foi apresentada como uma aposta emocional e inclusiva, destinada a mobilizar os portugueses para conhecerem melhor o território nacional.
A vogal do conselho diretivo do Turismo de Portugal, Lídia Monteiro, explicou que a iniciativa pretende mostrar a diversidade da oferta turística portuguesa, desde património e natureza até gastronomia, rios, praias e experiências culturais. “É uma campanha dirigida ao público interno, com o objetivo de estimular os portugueses a escolherem Portugal para as suas viagens”, afirmou.
Segundo a responsável, a campanha procura também reforçar a capacidade dos territórios e das empresas turísticas se regenerarem através do turismo interno. “Viajar é procurar emoções, viver emoções e trazer emoções”, acrescentou.
O conceito criativo da campanha foi desenvolvido pela Dentsu Creative e assenta no slogan ‘Não procures mais longe. Encontra o teu país’. O diretor-geral da agência, Patrick Stilwell, explicou que o objetivo passou por desconstruir a ideia de que as experiências marcantes exigem destinos distantes. “Mais do que viajar para conhecer, queremos viajar para sentir”, afirmou. A iniciativa contará ainda com o lançamento de “filmes curtos, que nos levam mais uma vez a ver aquilo que provavelmente já vimos, mas com olhos diferentes”, explicou o responsável.
“Vamos estar presentes de uma forma o mais abrangente possível para podermos chegar a todos, podermos ter a possibilidade de conversar e de contar as histórias do nosso país a todos os portugueses e que possam também eles escolher Portugal” rematou Patrick Stilwell.
O encerramento da sessão ficou a cargo do ministro da Economia e Coesão Territorial, Castro Almeida, que reforçou a dimensão económica e social da iniciativa. O governante recordou que os fenómenos climatéricos extremos causaram prejuízos estimados em 5,3 mil milhões de euros e afetaram infraestruturas, habitações e atividades económicas em várias regiões do país. “Estamos a fazer mais do que promover destinos, estamos a ativar uma resposta económica e social”, afirmou.
Para Castro Almeida, escolher fazer férias em Portugal, especialmente nos territórios afetados, representa também “um ato de compromisso e de solidariedade”.
“Os territórios que enfrentaram estas adversidades não são territórios frágeis. São territórios que resistem, que se reinventam e que estão preparados para receber quem nos visita”, concluiu o governante






