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Agostinho e Sérgio vão atravessar a EN2 a pedalar por uma causa solidária

Agostinho Rodrigues e Sérgio Marcelino preparam-se para atravessar o país de bicicleta pela Estrada Nacional 2, entre Chaves e Faro, convertendo cada quilómetro pedalado em apoio

“É uma doideira, uma maluqueira”. É desta forma, entre risos, que Agostinho Rodrigues, de 66 anos, resume o novo desafio a que se propõe lançar. Ao lado de Sérgio Marcelino, de 60 anos, vai percorrer a Estrada Nacional (EN) 2 de bicicleta, entre Chaves e Faro, numa aventura marcada pelo espírito de sacrifício, pela amizade e também pela solidariedade.

Sem carro de apoio e apenas com “a mochila às costas”, os dois amigos partem no próximo sábado, dia 23, para uma viagem de aproximadamente 739 quilómetros, dividida em duas etapas.

A primeira deverá durar oito dias, até dia 30, entre Chaves e Abrantes. Depois de alguns dias de descanso, a dupla residente no concelho de Leiria regressará à estrada na segunda semana de junho para completar o percurso até Faro.

Agostinho Rodrigues fará a viagem numa bicicleta Trek, enquanto Sérgio Marcelino seguirá numa KTM, preparados para enfrentar altas temperaturas e longas horas de pedalada. “Lancei o repto no Facebook a ver se aparecia alguém e apareceu um colega doido como eu”, contou Agostinho Rodrigues, explicando que a ideia surgiu “porque sim”, motivada pelo gosto pela aventura e pelo desafio físico.

Apesar de já conhecer a Nacional 2 de carro, admite que fazê-la de bicicleta tem um significado completamente diferente. “Vi coisas muito bonitas na Nacional 2, mas isto é mais pelo espírito de sacrifício e aventura”, referiu.

O desafio ganhou uma dimensão solidária. “Pensei: porque não rentabilizar os meus quilómetros em prol de alguém?”, explicou.

Por cada quilómetro percorrido, a empresa Lusical, sediada em Alcanede (Santarém), onde Agostinho Rodrigues trabalhou, vai doar pelo menos um euro. “Chego ao fim, digo quantos quilómetros fiz e a Lusical vai dar-me pelo menos um euro por quilómetro”, afirmou.

Outras empresas e entidades poderão ainda associar-se à iniciativa.

O objetivo passa por converter o valor angariado em bens alimentares ou materiais para apoiar famílias e instituições.

A decisão final dependerá da adesão do grupo ‘Mochila às Costas’, criado em 2022 por Agostinho Rodrigues e que chegou a reunir cerca de 200 pessoas numa ação solidária sobre rodas. “Nós, com uma mochila às costas cheia de bens, entregámos ajuda a quem precisava e fomos de bicicleta até às instituições”, recordou.

Caso exista nova mobilização do grupo, pretende repetir a iniciativa. Caso contrário, os bens serão entregues diretamente a instituições do concelho de Leiria, algumas delas afetadas pela depressão Kristin. “Tudo o que possa fazer em prol de terceiros, estou sempre na linha da frente”, garantiu.

Ao longo do percurso, os dois amigos esperam enfrentar várias dificuldades, sobretudo físicas. O calor e as subidas no norte do país são algumas das maiores preocupações. “Marão, Trás-os-Montes, Viseu… e as temperaturas acima dos 30 graus podem complicar”, admitiu. Ainda assim, Agostinho Rodrigues garante que a preparação tem sido feita com treinos regulares de bicicleta e ginásio, não fosse ele uma pessoa ativa por natureza.

Quase veterano em aventuras deste género, já ligou de bicicleta os 16 concelhos do distrito de Leiria e percorreu o Caminho de Santiago de Compostela. Agora, prepara-se para mais um desafio que espera terminar com o mesmo sentimento das experiências anteriores: “Felicidade”.|

Maio 21, 2026 . 08:00

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