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Gonçalo Lopes reclama respeito para Leiria: “O tempo do anão político terminou”

Num discurso marcado pela reconstrução pós-catástrofe, o autarca socialista reivindicou mais reconhecimento político e justiça nos apoios do Estado, afirmando que Leiria “não pede privilégios”, mas exige “o que é justo”

O presidente da Câmara de Leiria aproveitou a sessão solene do Dia do Município para lançar uma das mensagens politicamente mais fortes do seu mandato: “O tempo do anão político terminou”.

Num discurso profundamente marcado pelas consequências da tempestade que atingiu o concelho, Gonçalo Lopes defendeu que Leiria ganhou finalmente voz nacional e recusou qualquer visão menor do território no contexto político do país.

“Durante muito tempo repetiu-se a ideia — e isso acabou até por se enraizar nessa tendência que tantas vezes temos para nos menorizarmos — que Leiria é um gigante económico e um anão político. Pois bem: o tempo do anão político terminou”, afirmou na sexta-feira, perante uma plateia reunida no Teatro José Lúcio da Silva.

A frase surgiu como ponto de viragem de uma intervenção centrada na resposta do concelho à tempestade que provocou destruição em habitações, escolas, empresas, equipamentos públicos e floresta.

Para o autarca socialista, a dimensão da crise expôs não apenas a vulnerabilidade do território, mas também a capacidade de mobilização da comunidade e das instituições locais.

“Pelas piores razões, o país parou, viu-nos e ouviu-nos”, declarou. “Viu a força da nossa gente, a capacidade das nossas instituições e um concelho ferido, mas de pé”, acrescentou.

Ao longo da intervenção, Gonçalo Lopes procurou transformar a resposta à catástrofe num argumento político sobre o peso de Leiria no contexto nacional. Reivindicou respeito institucional para um território que “cria riqueza, trabalha, exporta e inova” e sustentou que a resposta do Estado à reconstrução será um teste à coesão territorial do País.

“Leiria não pede privilégios. Leiria exige justiça”, afirmou, numa referência direta aos apoios esperados através do PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência. “Não pedimos mais do que aquilo que nos é devido. Mas também não aceitaremos menos do que aquilo que é justo”, alertou.

O presidente da autarquia reforçou ainda a ideia de que o poder local saiu politicamente fortalecido da crise, defendendo um novo equilíbrio na relação entre administração central e autarquias. “Não somos tarefeiros. Somos parceiros de pleno direito”, disse.

Para Gonçalo Lopes, a tempestade demonstrou que “um país mais coeso precisa de confiar mais nas suas autarquias”, com mais recursos, competências e reconhecimento político.

A intervenção teve também um forte tom comunitário e emocional. O autarca agradeceu aos trabalhadores municipais, bombeiros, forças de segurança, juntas de freguesia, empresas, associações e voluntários que participaram na resposta à emergência.

Em vários momentos, evocou o espírito de solidariedade vivido após a tempestade, afirmando que “Leiria não esquecerá nunca” quem ajudou o concelho a recuperar.

Apesar da recuperação já visível em várias zonas do concelho, Gonçalo Lopes advertiu que o processo está longe de concluído.

“Muito foi feito. Mas muito, mesmo muito, ainda há a fazer”, reconheceu, apontando necessidades ao nível da habitação, equipamentos públicos, empresas, floresta e ordenamento do território.

Mais do que reconstruir, o autarca defendeu uma transformação estratégica do concelho. Quer fazer de Leiria um território de referência na adaptação climática, proteção civil, inovação e gestão florestal, envolvendo município, freguesias, empresas, Politécnico, associações e centros de conhecimento.

“O nosso compromisso não é apenas repor o que existia na véspera da tempestade”, disse, acrescentando querer construir “uma Leiria mais forte do que era antes”.

No encerramento, Gonçalo Lopes regressou à ideia central do discurso: a afirmação política e identitária de Leiria após a adversidade. “O vento passou por nós. Mas não levou Leiria. Leiria ficou. Leiria ergueu-se. E continuará a reerguer-se, todos os dias, com a força da sua gente”, concluiu.

Maio 22, 2026 . 17:14

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