
Leirena estreia uma peça de teatro com jovens institucionalizados
Um grupo de 14 jovens institucionalizados em Leiria e Caldas da Rainha estreia amanhã, ‘O dia em que se soltou o grito’, espetáculo produzido pelo Leirena Teatro e apresentado na sede da companhia, nos Marrazes, no concelho de Leiria.
Incluída no projeto ‘Atrás do grito’, a peça envolveu várias dezenas de jovens, entre os 13 e os 19 anos, na criação de todas as componentes que fazem parte de uma peça de teatro, desde a escrita à criação de cenários, adereços, música, luz e som, comunicação e produção.
Os trabalhos começaram em novembro de 2025, mas foram afetados pelo mau tempo que se abateu no início deste ano sobre a região Centro, obrigando a alterações ao plano.
Em vez de um original, o texto adotado teve ser um já existente, de Marcantonio Del-Carlo, que serviu de base ao espetáculo que tem como centro uma sala de aula abandonada.
“Aos poucos, esta tornar-se-á palco de emoções retraídas, medos escondidos, confrontos acesos e descobertas chocantes”, antecipou a companhia de teatro de Leiria.
Os 14 atores que vão a palco, “culminando este processo artístico e humano”, interpretam um grupo de jovens rebeldes e incompreendidos.
Todos têm segredos escondidos, que se soltam num grito.
“O dia em que se soltou o grito” nasceu com “dedicação, descoberta e entrega por parte dos jovens e de toda a equipa envolvida”, salientou o Leirena Teatro, que contou com a colaboração da cooperativa Ccer Mais/Omnichord nas vertentes musical e técnica.
A encenação está a cargo de Diana Cunha, que confessou à agência Lusa a surpresa com a prestação dos participantes.
“Nunca trabalhei com este tipo de jovens, que estão nesta situação [de institucionalização], mas é bastante gratificante e impressionante o que eles conseguem. A maior parte nunca fez teatro e, de repente, entram aqui, num espaço vazio, e a sua personalidade revela-se”.
O teatro acabou por ter um efeito libertador para muitos dos elementos do grupo, contou a encenadora.
“É muito importante eles serem ouvidos e a sua opinião contar. Aqui, toda a gente pode dizer o que quer, toda a gente tem espaço para falar e as ideias de todos são bem-vindas. Há um espaço de liberdade e de não julgamento”.
Diana Cunha disse acreditar que “Atrás do grito” pode deixar sementes na vida dos envolvidos. Afinal, “aprenderam muito sobre comunicação, escrita, dicção e a estar em cena”.
“Muitos já me vieram dizer que gostam de teatro e estão a pensar seguir teatro. Para mim, é muito gratificante poderem aqui descobrir uma vocação”, assumiu.
A peça ‘O dia em que se soltou o grito’ estreia amanhã, às 21h30, na sede do Leirena Teatro, e repete no domingo, às 16h00, no mesmo palco.
A encenadora Diana Cunha garantiu que o resultado “será forte”, até pelo “grande ‘upgrade’ que houve desde o primeiro ensaio, em novembro, até agora”.
“Houve muitas interrupções e dificuldades, mas tenho muita confiança neles. Acima de tudo, isto é para eles se divertirem, aprenderem o que é o teatro. E, se quiserem, levarem alguma coisa para as suas vidas”.








