
Câmara apela à população para parar de depositar resíduos indevidos na via pública
Margarida Brettes
A Câmara Municipal de Leiria está a reforçar o apelo à população para que utilize corretamente os locais de deposição de resíduos criados após a passagem da depressão Kristin pelo concelho, e deixe de abandonar lixo na via pública, em parques de resíduos já intervencionados ou em capacidade máxima.
O alerta foi deixado ontem por Luís Lopes, vereador com o pelouro da Limpeza Pública e Resíduos Sólidos Urbanos, que reconheceu o esforço da maioria dos munícipes e das juntas de freguesia, mas lamenta a falta de colaboração de alguns cidadãos.
“É importante para nós que as pessoas percebam que isto ainda não acabou. Nós ainda estamos a resolver questões das tempestades e temos muitas para resolver”, afirmou o vereador, garantindo que o município continuará a assegurar recolhas porta-a-porta, parques temporários de resíduos e soluções gratuitas de encaminhamento.
Desde 28 de janeiro, a autarquia criou 35 parques temporários de resíduos em articulação com as juntas de freguesia, mais um do que o inicialmente previsto, para responder à dimensão dos estragos provocados pelas tempestades do início do ano.
“Nós, desde o dia 28 de janeiro, procurámos logo criar espaços para a deposição dos resíduos”, explicou Luís Lopes, lembrando que houve necessidade de criar mais do que um parque em algumas freguesias devido à dispersão territorial e ao volume de materiais acumulados.
Apesar do esforço de limpeza, o vereador admite que continuam a surgir novos focos de deposição, inclusive em parques já limpos e encerrados. Segundo o vereador, várias juntas de freguesia têm colaborado na sensibilização e sinalização dos espaços, mas os avisos nem sempre são respeitados pelos fregueses.
“Mesmo com a colaboração das juntas de freguesia, com identificação e informação, as pessoas vão lá depositar resíduos apesar de lhes ser pedido para não o fazerem”, apontou Luís Lopes.
O autarca alertou ainda para situações de aproveitamento indevido do contexto excecional criado devido ao mau tempo, com deposição de resíduos sem qualquer relação com os estragos registados.
“Não é aceitável nem admissível que alguém remova o seu telhado todo de fibrocimento, 10, 20 ou 30 placas, e as vá colocar no meio de uma rua”, afirmou. Entre os exemplos identificados pela autarquia esteve uma banheira de hidromassagem abandonada junto a contentores. “Uma banheira de hidromassagem não voou”, ironizou.
Município já limpou mais de 6 mil toneladas de lixo
Até 21 de maio, o município contabilizou 6 mil toneladas adicionais de resíduos recolhidos devido às tempestades, às quais se juntam 393 toneladas de resíduos não urbanos e 301 toneladas de resíduos com amianto. No total, foram já retiradas cerca de 4 mil toneladas dos parques temporários criados pelo município, número que poderá atingir as “8 mil toneladas” até ao final da operação.
A resposta da autarquia implicou também um forte investimento financeiro. Segundo Luís Lopes, o município registou um acréscimo de 621 mil euros, aos quais se somam mais de 309 mil euros relativos à recolha de resíduos não urbanos e cerca de 564 mil euros ligados ao tratamento de materiais contendo amianto. No total, os contratos já celebrados com as empresas ultrapassam 1,2 milhões de euros, embora a Câmara admita que a operação global possa aproximar-se dos quatro milhões de euros.
Dos 35 parques de resíduos criados, 14 já foram totalmente intervencionados, 12 encontram-se em fase de limpeza e nove continuam por tratar. Paralelamente, existem centenas de pedidos de recolha na via pública ainda por executar. Até ao momento, quase 400 locais foram intervencionados, mas permanecem mais de 558 pontos identificados por recolher.
A prioridade, explicou o vereador, tem sido dada às zonas próximas de habitações, escolas, hospitais e centros de saúde, numa lógica de proteção da saúde pública. Ainda assim, a falta de recursos humanos e a dificuldade das empresas em contratar trabalhadores têm atrasado parte das operações. “Nós próprios fomos impactados pela redução do número de recursos humanos disponíveis para fazer estas operações”, reconheceu.
A Câmara Municipal de Leiria espera regularizar os pedidos atualmente identificados até ao final de julho, mantendo setembro como prazo indicativo para concluir a maioria das operações relacionadas com os resíduos das tempestades.
O município pediu ao Ministério do Ambiente e Energia o prolongamento da suspensão da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) e a manutenção do regime excecional que permite a existência dos parques temporários de resíduos não licenciados criados após as tempestades. Segundo Luís Lopes, a suspensão da TGR esteve em vigor até ao final de abril, mas a Câmara considera que a medida continua a ser necessária. A ministra do Ambiente terá já dado uma indicação favorável ao pedido .
No entanto, Luís Lopes admitiu que o cenário permanece em constante evolução, uma vez que continuam a surgir novos pedidos de recolha, sobretudo em habitações que ainda aguardam reparações ou peritagens. Perante este contexto, o vereador reforçou o apelo à população para continuar a colaborar com os serviços municipais, separando corretamente os resíduos e utilizando os canais oficiais disponibilizados pela autarquia.
O objetivo, concluiu, é devolver ao concelho a normalidade anterior às tempestades. “Queremos voltar a ter um concelho limpo, organizado, promovendo aquilo que é a verdadeira sustentabilidade, sem resíduos”.







