
Trokakiosque vive da partilha, mas procura excede oferta de livros
Os leirienses conhecem bem a cabine telefónica que habita no Largo 5 de Outubro. Não por comunicar com o mundo via telefone, mas por comunicar através de palavras.
Convertida em 2017 para o projeto ‘Trokakiosque’, esta cabine de leitura é uma autêntica “microbiblioteca”, como descreve a Câmara Municipal de Leiria, “assente na espontaneidade dos utilizadores”, mas que tem registado um desequilíbrio entre a oferta e a procura de livros.
O projeto não tem qualquer compromisso formal “a não ser a partilha de livros”. Entre 2017 e 2025, a Câmara registou um total de cerca de 8.000 livros. E, desde janeiro a abril deste ano, já foram trocados cerca de 300 livros, confirmou a vereadora com o pelouro da Cultura e Educação da Câmara de Leiria.
Sem registo de quantos livros chegam à cabine e quantos são recolhidos, porque “nem todos os utilizadores preenchem a ficha existente”, Anabela Graça mantém, contudo a convicção de que “a recolha dos livros é superior à oferta, a partir da contagem das existências”.
Ao nosso jornal, a vereadora esclareceu ainda que “o diferencial é reposto” pela Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, parceira do projeto, através de doações de particulares e/ou instituições.
Apesar do desequilíbrio, o projeto continua consistente. De acordo com os dados disponibilizados, nos últimos dois anos, 2024 e 2025, foram trocados cerca de 1.020 e 1.040 livros, respetivamente, números que apontam para uma média equivalente à média anual de 1.030 livros trocados no projeto.
As trocas dizem respeito “a diferentes géneros literários”, confirmou Anabela Graça, reforçado pelo “espaço informal de troca” do projeto, também com a ajuda das “diferentes comunidades imigrantes bem como de turistas, o que se traduz na troca de livros em diferentes línguas”.
Nesta “microbiblioteca”, é possível encontrar romances, bandas desenhadas, literatura portuguesa, literatura estrangeira, livros de autoajuda, policiais, saúde, bibliografia, thriller, e obras religiosas, livros técnicos, ficção, infantis e até livros escolares.
Sendo a origem das ofertas e da recolha “muito diversificada”, Anabela Graça admite não existir um padrão. “A maioria dos utilizadores do projeto tem como objetivo a partilha de leituras, trocando os livros que já leu por livros que ainda não leu”, aponta.
A vereadora salienta que “o Trokakiosque afirma-se como um projeto pedagógico e cultural de relevo para promover a leitura, democratizar o acesso ao livro e proporcionar e fomento das literacias, apoiados em comportamentos de autonomia e responsabilidade dos utilizadores que constroem uma cidadania ativa”.
O projeto nasceu em 2017, pela mão da Fundação Portugal Telecom (Fundação PT), em parceria com a Biblioteca Municipal, transformando uma cabine telefónica antiga, num espaço para trocas de leituras.
A troca poderá ser realizada de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 19h30 e, no sábado, entre as 14h30 e as 19h30.








