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“Total desordenamento” da região marca início do período crítico de incêndios

O DECIR2026, que entra em funcionamento hoje, estabelece a organização, os meios e a coordenação das diferentes entidades envolvidas na prevenção, vigilância e combate aos incêndios rurais na região de Leiria.

O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, Carlos Guerra, traçou um retrato preocupante do território após os fenómenos meteorológicos extremos dos últimos meses. A passagem da depressão Kristin, em janeiro, e as temperaturas elevadas registadas no final de maio agravaram a vulnerabilidade da paisagem rural e florestal da região, que enfrenta hoje “um total desordenamento preocupante e alarmante”.
Durante a apresentação pública do DECIR2026 — Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais — que decorreu na passada quinta-feira, no estacionamento do Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, reunindo entidades da proteção civil, autarquias, forças de segurança, representantes do Governo e operacionais envolvidos no combate aos incêndios rurais, o responsável destacou as profundas alterações provocadas pela tempestade, sublinhando que “o mundo rural e florestal já não é o que era” e que a transformação do território obriga a “um plano operacional exigente e diferente”.
“Estamos perante um novo normal florestal e rural”, afirmou Carlos Guerra, considerando que as alterações no território aumentaram a vulnerabilidade das matas nacionais e das zonas florestais do interior da região.
O DECIR2026 prevê, na fase mais crítica que começa hoje e termina a 30 de setembro, um dispositivo composto por 477 operacionais e 77 veículos de combate e apoio, apoiados por quatro helicópteros de ataque inicial e um helicóptero de ataque ampliado.
Segundo o comandante sub-regional, a estratégia passa pelo reforço do ataque inicial aos incêndios, considerado decisivo para evitar grandes ocorrências. Em 2025, a taxa de eficácia do ataque inicial foi de 98%, valor que a estrutura pretende manter ou melhorar.
Entre as medidas previstas para este ano estão o reforço do dispositivo aéreo com helicópteros pesados, o aumento das ações de vigilância e patrulhamento e o pré-posicionamento de meios nas zonas de maior risco.
Carlos Guerra deixou ainda um aviso quanto aos comportamentos negligentes. “Este é um ano de tolerância zero aos comportamentos de risco nos espaços rurais”, afirmou.
Num discurso marcado pelo reconhecimento aos operacionais, o comandante sub-regional recordou o esforço desenvolvido durante a depressão Kristin e no período posterior, elogiando bombeiros, militares, forças de segurança e sapadores florestais. “A vossa segurança é o vosso maior bem. A maior honra que nos podem dar é irem todos e regressarem todos”, declarou.
O responsável garantiu que, apesar das dificuldades e da escassez de recursos humanos, o dispositivo está preparado para responder aos desafios do período crítico de incêndios rurais na região.

Meios operacionais e
coordenação das forças
no terreno
Na apresentação do dispositivo municipal de proteção civil, Ricardo Martins, coordenador municipal de Proteção Civil de Leiria, destacou o papel das autarquias no apoio às operações.
Os municípios de Figueiró dos Vinhos, Pombal e Porto de Mós asseguram as infraestruturas necessárias ao funcionamento dos centros de meios aéreos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, garantindo a operação de quatro helicópteros dedicados ao combate aos incêndios rurais.
Além do apoio logístico às forças de socorro, os municípios asseguram a manutenção da rede viária florestal e dos pontos de água para abastecimento terrestre e aéreo.
As juntas de freguesia e as Unidades Locais de Proteção Civil foram igualmente apontadas como estruturas fundamentais na sensibilização das populações, vigilância e apoio às operações em contexto de emergência.
A Guarda Nacional Republicana (GNR), através da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), assegura missões de ataque inicial e ampliado, com 58 militares e nove viaturas distribuídos pelos centros de meios aéreos de Porto de Mós, Alcaria, Figueiró dos Vinhos e Pombal.
Já o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) contará com 38 elementos e 12 veículos dedicados à investigação das causas e crimes de incêndio florestal, em articulação com a Polícia Judiciária.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) terá ainda 16 equipas de sapadores florestais na sub-região de Leiria, envolvendo 80 operacionais e 16 veículos, distribuídos por sete municípios.

Junho 1, 2026 . 12:00

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