
Festival abre hoje a Porta para dar vida a novos espaços da cidade
A 11.ª edição do festival A Porta ‘abre’ hoje ao público em vários espaços da cidade e com uma estreia este ano: o Palácio dos Barões do Salgueiro. A mudança surge na sequência de um processo de reorganização do evento após a depressão Kristin.
Em declarações ao Diário de Leiria, Miguel Ferraz, membro da organização, admite que existiam outras ambições para os espaços do festival, mas explica que a equipa esteve “muito tempo sem conseguir pensar no festival” devido aos efeitos da depressão Kristin, o que obrigou a dar “alguns passos atrás”.
“Nós somos ‘ocupas’ de profissão”, afirma o responsável, explicando a escolha este ano pelo Palácio dos Barões do Salgueiro. No entanto, a ideia nunca avançou anteriormente porque “nunca fez propriamente sentido” na dinâmica pensada para o festival.
Agora, a necessidade de um espaço mais amplo acabou por justificar a aposta. Miguel Ferraz revela que a intenção passava também por, futuramente utilizar o interior do edifício, tendo a organização chegado a visitar o local. Contudo, por se tratar de um espaço ainda em obras e sujeito a escavações arqueológicas, apenas foi possível ocupar a área exterior.
Apesar da novidade, o festival continua a considerar a antiga Pousada da Juventude, no centro histórico de Leiria, como a sua “casa”. Segundo o organizador, trata-se de um espaço muito acarinhado pelo público, pelo que fazia sentido encontrar-lhe “um complemento” com o Palácio dos Barões do Salgueiro que cujo interior do edifício permanece inacessível ao público.
Ainda assim, a ocupação de edifícios históricos faz parte da identidade do festival. Miguel Ferraz refere que essa é uma das características da sua “génese curiosa”: olhar para um espaço e perceber de que forma pode ser transformado para acolher o evento. Existe também uma dimensão “metafórica”, acrescenta, que passa por observar os lugares e “trazer uma visão um bocadinho diferente”.
A mesma lógica aplica-se à antiga Pousada da Juventude, que é o principal palco do festival desde 2022. Sobre este espaço, Miguel Ferraz destaca a capacidade da organização para o reinventar e conseguir “fazê-lo de forma diferente” a cada edição.
Um festival com muito amor à camisola
Sobre A Porta diz que é "um festival assumidamente urbano”. A construção do evento é feita “à base de voluntariado e de amor à camisola”, numa iniciativa que acaba por representar também “uma forma de estar perante a cidade”.
Quanto ao futuro, Miguel Ferraz admite que o festival vive numa permanente renovação, razão pela qual o descreve como “incerto”. “Todos nós que estamos na equipa ‘core’ do festival fomos voluntários”, recorda, acrescentando que muitos dos atuais voluntários “muito provavelmente algum dia irão ser parte integrante do festival”.
O festival A Porta arranca hoje, às 17h00, na antiga Pousada da Juventude, com uma programação que se prolonga até domingo. O cartaz inclui concertos, ateliers, oficinas, performances e atividades para crianças.
Além da antiga Pousada da Juventude e do Palácio dos Barões do Salgueiro, as iniciativas vão passar pelo pátio da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, Solar dos Ataídes, Terreiro, Rua Pedro Nunes, Terraço do Te-Ato, ‘Garagem do Sr. Cândido’, antigo Musiqu3 e Jardim de Santo Agostinho.








