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Recicla-se mais, mas ainda se recicla mal

A separação correta é essencial para garantir a eficiência do sistema e a segurança das equipas que diariamente asseguram o tratamento dos resíduos

A reciclagem está a ganhar terreno em Leiria, mas os erros na separação de resíduos continuam a comprometer parte do esforço realizado por cidadãos e entidades responsáveis pela gestão ambiental.

A avaliação é da Valorlis, entidade responsável pelo tratamento e valorização de resíduos urbanos em vários municípios da região, que regista uma evolução positiva dos hábitos ambientais da população.

Em 2025, a recolha seletiva aumentou 5% face ao ano anterior, refletindo uma maior adesão à reciclagem e aos sistemas de recolha disponibilizados. “Os cidadãos estão a reciclar mais”, sublinha Marta Guerreiro, administradora executiva da Valorlis. No entanto, alerta, ainda existe um longo caminho a percorrer para que a separação dos resíduos seja uma prática consistente em todos os contextos do quotidiano.

Um dos principais problemas continua a verificar-se no ecoponto amarelo. Por aceitar uma maior diversidade de materiais, este contentor é frequentemente utilizado de forma incorreta. No entanto, chegam frequentemente às unidades de triagem resíduos que não pertencem a esta fileira, dificultando o processo de valorização.

Também no ecoponto azul persistem erros comuns. Embalagens de papel e cartão sujas, com gordura ou restos de alimentos, continuam a ser depositadas juntamente com materiais recicláveis.

Já no ecoponto verde, destinado exclusivamente a garrafas, frascos e boiões de vidro, continuam a surgir objetos como copos, loiças, cerâmicas ou janelas, materiais incompatíveis com o processo de reciclagem do vidro de embalagem.

A situação agravou-se após a passagem da depressão Kirstin, quando aumentou significativamente o abandono de resíduos volumosos junto dos ecopontos. Eletrodomésticos, restos de obras, estores, tubos, mangueiras ou resíduos perigosos passaram a ser encontrados com maior frequência dentro e fora dos contentores de reciclagem, criando dificuldades operacionais e riscos para os trabalhadores responsáveis pela triagem.

Para a Valorlis, evitar estes comportamentos é essencial para garantir a eficiência do sistema e a segurança das equipas que diariamente asseguram o tratamento dos resíduos.

Além do crescimento da recolha seletiva, foram disponibilizados mais 109 contentores para reciclagem, reforçando uma rede que aumentou cerca de 20% nos últimos sete anos

A aposta na sensibilização ambiental estendeu-se também a projetos específicos de promoção da reciclagem de vidro.

Em 2025, a Valorlis desenvolveu duas iniciativas direcionadas ao setor da hotelaria, restauração e cafés. O projeto ‘Marinha Grande + Vidro’, realizado em parceria com o município da Marinha Grande que procurou facilitar a deposição de embalagens de vidro e a campanha ‘Com o vidro no coração’, que associou a promoção da reciclagem de vidro a uma vertente solidária.

Junho 5, 2026 . 15:00

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