
Município estima mais de 10 mil toneladas de resíduos resultantes da Kristin
Mais de 10 mil toneladas de resíduos resultantes da depressão Kristin é a estimativa do município de Leiria, tendo por base os resíduos colocados nos 35 locais de deposição temporária criados no concelho após a intempérie.
O número foi avançado pelo vereador do Ambiente, Luís Lopes, durante a visita da ministra do Ambiente e da Energia ao estaleiro instalado na Charneca do Nicho, em Souto da Carpalhosa.
O espaço é um dos 35 locais criados pela Câmara de Leiria, em articulação com as juntas de freguesia, para receber resíduos provenientes sobretudo dos danos provocados nas habitações e na via pública pela tempestade.
Destes parques temporários, 12 continuam por encerrar. “A nossa estimativa é que temos mais de 10 mil toneladas de resíduos resultantes da tempestade, maioritariamente da Kristin por causa do vento”, revelou o autarca, acrescentando que este volume representa um acréscimo de cerca de 600 mil euros nos custos da recolha “convencional” de resíduos, aos quais se juntam 700 mil euros associados à recolha na via pública, realizada em 1.111 pontos identificados no concelho.
Os custos de remoção dos resíduos armazenados nos estaleiros temporários, muitos deles contendo amianto proveniente de coberturas danificadas representam já um “volume total de 3, 7 milhões de euros”. Apesar de o município prever inicialmente encerrar este processo nas próximas semanas, Luís Lopes admitiu que a operação se prolongue por mais tempo.
“Muitas pessoas estão agora a receber os apoios para a reconstrução das suas casas e a fechar os processos com as companhias de seguro. Há ainda muitos resíduos que estão a ser depositados e ainda estamos a fazer esse acompanhamento”, explicou.
Face a este cenário, a autarquia solicitou ao Governo o prolongamento da suspensão da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) e a manutenção dos parques temporários de deposição.
“Estas opções que nós demos são para habitações. Tudo o que é meio empresarial e grandes dimensões e volumes é conveniente que sejam devidamente encaminhados e processados, principalmente quando falamos de amianto”, salientou.
Segundo Luís Lopes, a deposição indevida de resíduos tem diminuído nos últimos meses, graças às campanhas de sensibilização, à disponibilização gratuita dos parques temporários e ao serviço de recolha porta a porta. Ainda assim, o vereador reconhece que continua a existir uma quantidade significativa de resíduos em habitações.
Durante a visita, a ministra do Ambiente, que se mostrou “impressionada” com o que viu, dada a quantidade de resíduos depositados, confirmou que o Governo aceitou prolongar a isenção da TGR até 30 de setembro. “Não foi possível resolver esta situação em três meses porque os efeitos foram muito maiores do que pensávamos”, afirmou. A governante admitiu ainda a necessidade de encontrar mecanismos de apoio financeiro para fazer face aos custos extraordinários suportados pelo município. “Há um pedido da Câmara para ajudar nas despesas extra, que todas somadas darão entre os cinco a seis milhões de euros. Vamos ver, ou com a CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] ou com o Fundo Ambiental, como podemos ajudar para que se faça esta remoção, porque é algo urgente”, garantiu.
“Queríamos que, a partir de 30 de setembro, o concelho de Leiria estivesse limpo destes resíduos. Enquanto existirem estas bolsas, há aqui uma ferida muito visível”, frisou.










