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Achados arqueológicos atrasam residência de estudantes do Politécnico em Leiria

A data prevista de finalização é 31 de dezembro, passando a residência a ter 104 camas.

A construção da residência de estudantes no antigo Convento de Santo Estêvão, em Leiria, está parcialmente suspensa por terem sido detetados achados arqueológicos, revelou à agência Lusa o presidente do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), Carlos Rabadão.

“A obra está parcialmente suspensa. Não está suspensa, continua em atividade, mas a trabalhar a um ritmo mais baixo”, afirmou Carlos Rabadão, reconhecendo que o investimento, para criar 101 camas, não vai estar concluído em 31 de agosto, prazo final do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que financia a obra.

Referindo terem sido encontrados “alguns desafios arqueológicos”, como “ossadas de humanos”, numa zona onde “não é a primeira vez que são descobertas ossadas”, este responsável esclareceu que um arqueólogo está a acompanhar a tempo inteiro a obra, cuja “data para finalizar é um bocadinho depois” de 31 de agosto.

O prazo inicialmente previsto era o primeiro trimestre deste ano, estendendo-se agora até 31 de dezembro.

Além desta residência de estudantes em Leiria, onde o Politécnico tem três das suas cinco escolas superiores - Educação e Ciências Sociais, Saúde, e Tecnologia e Gestão (ESTG) -, também a renovação da residência de estudantes Mestre António Duarte, nas Caldas da Rainha, cidade onde está sediada a Escola Superior de Artes e Design (ESAD), não vai estar pronta no prazo do PRR.

Com conclusão inicialmente prevista para o último trimestre de 2025, a empreitada de renovação desta residência teve um primeiro concurso que ficou deserto, tendo sido depois “encontrados problemas estruturais no edifício que implicaram uma reformulação estrutural na obra”.

A data prevista de finalização é 31 de dezembro, passando a residência a ter 104 camas.

“No âmbito do Kristin [depressão] e também ao analisar a estrutura do edifício, percebemos que ele tem problemas estruturais e, portanto, são precisos trabalhos adicionais e também estamos a tratar disso”, disse o presidente do IPL.

Questionado sobre uma eventual penalização face ao incumprimento do prazo do PRR, Carlos Rabadão assegurou que o IPL remeteu “estas situações à entidade financiadora já há alguns meses”.

“Foi reportado e, portanto, estamos a tentar articular uma solução para estes dois casos em concreto (…), para garantir que estas obras se finalizam com o financiamento que temos”, adiantou.

O IPL tem 14 obras financiadas pelo PRR. Destas, estão concluídas a reabilitação da residência de estudantes Rafael Bordalo Pinheiro (117 camas) e a requalificação de um edifício pedagógico na ESAD, ambos nas Caldas da Rainha.

Também finalizados estão a reabilitação do edifício do Hub em Inovação em Saúde e a requalificação e ampliação do edifício C da ESTG, em Leiria.

Este mês prevê-se que terminem as empreitadas de melhoria da eficiência energética do edifício D da ESTG e da Biblioteca José Saramago, assim como a requalificação energética do Hub Inovação em Saúde.

Até 31 de julho, está pronta a nova residência de estudantes (68 camas) nas Caldas da Rainha.

Com data prevista de conclusão em 31 de agosto estão as empreitadas de renovação do complexo de residências (458 camas) e a construção da residência Nova Leiria (165 camas), junto ao Edifício dos Serviços Centrais, na capital de distrito.

Para a mesma data prevê-se que estejam terminadas a construção do novo complexo de residências de estudantes (88 camas) e a reabilitação da atual residência (58 camas), em Peniche, cidade que alberga a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, e da residência de estudantes de Pombal (42 camas), onde o IPL tem um núcleo de formação.

Com estes investimentos, de renovação e construção, o IPL, futura Universidade de Leiria e do Oeste, quase duplica o número de camas disponíveis para alunos.

O presidente do Politécnico de Leiria acrescentou que o impacto da depressão Kristin, em 28 de janeiro, obrigou à reprogramação de algumas obras.

“A tempestade, de alguma forma, introduziu atrasos de dois, três meses em grande parte das empreitadas”, ressalvou, notando que não foi “só o impacto direto que teve nos edifícios [do IPL], é também a questão dos recursos humanos, das empresas terem de deslocalizar a força de trabalho para recuperar os estragos”, para se regressar à normalidade.

O investimento total das obras realizadas no âmbito do PRR é de 48 milhões de euros (sem IVA), sendo o investimento direto do Politécnico de Leiria de 11,5 milhões de euros. Neste último montante está incluído o agravamento das despesas associadas à inflação e à tempestade Kristin.

Junho 15, 2026 . 15:30

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