
Associação junta-se a Uber para reforçar formação sobre atendimento a pessoas cegas
A associação dos cegos e amblíopes juntou-se à plataforma Uber para reforçar a partir de hoje a formação de motoristas sobre o atendimento a clientes cegos, que se queixam de verem recusado o transporte de cães-guia.
“Estamos a reforçar os conteúdos formativos com uma abordagem mais completa e ampla, nomeadamente no que toca às necessidades específicas de pessoas cegas e com visão reduzida”, disse o General Manager da Uber Portugal, Francisco Vilaça, numa resposta enviada à Lusa.
A Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo), que se associou à Uber, refere que todos os anos recebe dezenas de queixas sobre motoristas que recusam o serviço a pessoas cegas e amblíopes [diminuição da visão de um olho, ou ambos os olhos].
“Uma das principais barreiras identificadas na utilização do serviço” é o transporte de cães-guia, isto é, existem queixas de pessoas cegas sobre motoristas que recusaram a viagem porque os passageiros traziam consigo um cão-guia, segundo um comunicado da plataforma de viagens.
Francisco Vilaça referiu que os cães-guia podem ser transportados em todos os serviços da Uber e que é importante que os clientes denunciem situações em que a legislação em vigor não seja cumprida, para que sejam tomadas medidas.
De acordo com a nota, será implementada uma nova formação obrigatória para os motoristas do Uber Assist, que inclui conteúdos sobre apoio a pessoas cegas e com baixa visão, bem como sobre o transporte de cães-guia.
O Uber Assist, relançado hoje, foi criado em 2020 para responder às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida, cegas e amblíopes, em parceria com a Associação Salvador, que promove a inclusão das pessoas com deficiência motora.
Os motoristas da empresa que fizerem viagens no Uber Assist, tal como já acontecia antes, terão uma formação obrigatória para acompanhar pessoas com deficiência visual ou motora.
A nova formação, desenvolvida em conjunto com a Associação Salvador e agora com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo), é constituída por módulos sobre a interação, a segurança, o quadro legal e acompanhamento dos passageiros, reforçando o nível de exigência e preparação dos motoristas, segundo o comunicado.
Para o presidente da direção nacional da Acapo, Rodrigo Santos, a formação do Uber Assist deveria ser obrigatória para todos os motoristas da plataforma de viagens.
Rodrigo Santos disse à Lusa que os motoristas recusam viagens a pessoas cegas e amblíopes desde que a plataforma de viagens surgiu no país, em 2014, mas nos últimos anos a situação “tem vindo a aumentar drasticamente”.
O responsável da Acapo indicou que há casos de motoristas que recusaram transportar clientes com deficiência visual porque um passageiro cego trazia consigo um cão-guia ou porque achavam que uma pessoa com deficiência visual não poderia utilizar o serviço.
Rodrigo Santos disse que há casos em que o motorista recusou transportar o passageiro declarando que o cão-guia iria sujar o banco do carro que ocupasse. Rodrigo Santos disse que os cães ficam nos pés do passageiro.
Outras queixas relatadas à Acapo, com cerca de 4.000 associados, estão relacionadas com a insensibilidade dos motoristas com pessoas cegas: “O motorista não sabia como interagir comigo (…) inclusive dizia-me, eu estou aqui, não me está a ver”, exemplificou o responsável da Acapo.
A coordenadora da delegação do Porto da Associação Salvador, que tem cerca de 10.000 associados, Maria João, disse à Lusa que o impacto da formação será medido com inquéritos aos utilizadores, aos motoristas e com as ações cliente mistério em que o motorista é avaliado sem saber que está ser avaliado.
“Acho que são excelentes formas de medir a mudança”, acrescentou.









