
Leiria avança com reestruturação da rede Mobilis
A Câmara de Leiria aprovou na segunda-feira uma reestruturação da rede urbana Mobilis, que introduz alterações em todas as nove linhas do serviço e pretende responder aos novos desafios de mobilidade, apostando no reforço da oferta noturna e na resposta aos problemas de sobrelotação e atrasos.
A proposta foi apresentada na reunião do executivo pelo vereador com o pelouro da Mobilidade, Luís Lopes, e surge na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin, que ditaram o encerramento do terminal rodoviário de Leiria. Desde então, as operações foram transferidas para a avenida Bernardo Pimenta, transformada em interface provisório para as partidas e chegadas das linhas urbanas.
Segundo a autarquia, a mudança forçada da localização do terminal acabou por criar uma oportunidade para repensar a organização da rede, ajustando percursos, horários e padrões de operação à nova realidade.
“Não nos cingimos apenas à revisão dos circuitos e à recentralização dos nove circuitos atualmente existentes, mas também apostámos num incremento de eficiência para aquilo que é a rede Mobilis”, sublinhou Luís Lopes.
Segundo o vereador, os dados de exploração analisados pelo município mostram que a rede Mobilis transportou 1.335.494 passageiros durante 2025, tendo o mês de outubro registado o maior volume de utilização, fortemente influenciado pelo calendário escolar e académico.
A monitorização do serviço permitiu identificar várias fragilidades, entre as quais a insuficiência da oferta no período noturno, limitações nos horários associados às aulas pós-laborais, a existência de circulações com reduzida procura e situações de sobrelotação e atrasos em horas de ponta.
“Houve auscultação de várias entidades, também às reclamações que existem e que vamos recebendo”, anotou Luís Lopes, justificando as alterações produzidas, acrescentando que houve igualmente propostas do PSD em Assembleia Municipal que foram acolhidas.
Entre as principais medidas agora aprovadas destaca-se a criação de um horário noturno na Linha 1, que passará a assegurar ligações até à Gândara dos Olivais, procurando responder às necessidades de trabalhadores e estudantes sem alternativas de transporte no final do dia.
A Linha 9 (uMOB), que serve o campus do Politécnico de Leiria, terá novos horários às 07h10 e às 19h45, ajustados aos períodos de entrada nas aulas e ao término da atividade letiva pós-laboral. Em contrapartida, será eliminada a circulação das 14h00, identificada pela autarquia como um horário com reduzida procura.
Uma das alterações mais significativas ocorrerá na Linha 3, considerada a mais sobrecarregada da rede. O percurso passará a funcionar através de dois serviços shuttle, com transbordo garantido na Avenida Bernardo Pimenta e reforço de duas viaturas, medida que visa “reduzir atrasos e melhorar a regularidade” do serviço.
A reorganização prevê ainda a transformação da Linha 4 em percurso circular, a otimização de vários trajetos e a redistribuição dos fluxos de passageiros, nomeadamente através do reforço do papel da Linha 9, que deverá aliviar a pressão atualmente registada na Linha 2, sobretudo no eixo entre a avenida Nossa Senhora de Fátima, avenida Marquês de Pombal e o Centro de Saúde Gorjão Henriques.
As alterações abrangem todas as linhas da rede Mobilis. Algumas mantêm a estrutura principal, registando apenas adaptações decorrentes da relocalização do terminal, enquanto outras sofrerão mudanças de percurso ou reorganização dos pontos de partida, como é o caso das linhas 2, 5, 6 e 8.
De acordo com o vereador, a reestruturação procura conciliar uma utilização mais eficiente dos recursos disponíveis com uma resposta mais ajustada às necessidades reais dos utilizadores, num contexto marcado pelo “crescimento populacional” do concelho e pelo “aumento da procura associada à comunidade escolar e académica”.
As novas alterações entrarão em vigor a 1 de julho, permitindo igualmente “antecipar a entrada em funcionamento do futuro Terminal Intermodal de Leiria (TIL)”, com o vereador a revelar que a única linha que não aparece nesta reestruturação será a linha 10, “que será uma circular em torno da cidade” e que fará “a ligação entre os principais interfaces e também o Terminal Intermodal de Leiria”. Esta linha 10 só entrará em funcionamento “assim que o TIL estiver concluído”.









