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Amnistia Internacional acusa Irão de possíveis crimes de guerra

A Amnistia Internacional acusou hoje o Irão de ataques na Arábia Saudita e Bahrein em março deste ano que fizeram quatro mortos, doze feridos, e podem ser crimes de guerra

Nestes dois ataques foram utilizados, provavelmente, drones Shahed, estima a organização.

“As autoridades iranianas mataram e feriram civis no Bahrein e na Arábia Saudita, violando o direito internacional humanitário, e no âmbito de um padrão mais alargado de ataques contra países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), lê-se num comunicado divulgado hoje.

Segundo a AI, “o conflito – que teve início após os ataques ilegais dos EUA e de Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro de 2026 – desencadeou uma série de ataques por parte das autoridades iranianas e de grupos armados aliados na região do Golfo, incluindo a infraestruturas civis em todo o CCG, originando, pelo menos, 28 mortos e centenas de feridos registados até à data”.

A Amnistia Internacional escreveu aos governos do Bahrein e da Arábia Saudita, em março, para pedir mais informações sobre o impacto dos ataques a infraestruturas civis, mas não recebeu resposta. Em 03 de junho de 2026, a Amnistia Internacional escreveu às autoridades iranianas.

Até à data de publicação do relatório, não tinha sido recebida qualquer resposta, segundo a AI.

Em 02 de março de 2026, duas munições, provavelmente drones Shahed — lançados pelas forças iranianas, atingiram o petroleiro MT Stena Imperative enquanto este se encontrava em doca seca no Bahrein.

A análise de 28 fotografias e vídeos das consequências do ataque revela um nível de danos e um padrão de dispersão de fragmentos compatíveis com a utilização de um drone Shahed. Fragmentos da ogiva ficaram também incrustados no convés e nos sistemas mecânicos do navio, segundo a ONG. Um homem morreu e outros dois ficaram gravemente feridos.

O Stena Imperative é um petroleiro civil propriedade da Stena Bulk, uma empresa sueca. De acordo com relatos da comunicação social, as forças iranianas já tinham tentado atacar e apreender o navio, em fevereiro de 2026. No passado, o navio tinha sido contratado pelo Programa de Segurança de Petroleiros da Administração Marítima dos EUA para transportar combustível para as forças armadas norte-americanas.

No entanto, quando foi atingido, 02 de março de 2026, o navio continuava a ser um alvo civil ao abrigo do direito internacional humanitário e, no momento do ataque, não participava em operações militares.

Em 08 de março de 2026, uma munição iraniana atingiu um campo de trabalho em Al-Kharj, na Arábia Saudita. Três homens morreram e, pelo menos, outros dez ficaram feridos, alguns com lesões que lhes alteraram a vida e exigiram meses de hospitalização. Todas as vítimas eram civis que trabalhavam para a empresa de limpeza Al-Twaik, prestando serviços gerais de limpeza e manutenção de terrenos na região.

A AI também falou com testemunhas de ataques ao Aeroporto Internacional de Abu Dhabi, a hotéis no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a estações de tratamento de água e instalações de gás natural liquefeito no Qatar.

Todas descreveram ondas de drones a sobrevoar a região e a sua interceção pela defesa aérea local; alguns drones conseguiram ultrapassar os sistemas de defesa e atingiram infraestruturas civis, que são essenciais para a prestação de serviços básicos, como a água, ou para as economias da região, como as instalações petrolíferas. Outras infraestruturas civis também foram danificadas devido à queda de detritos de mísseis e drones iranianos intercetados.

Segundo a AI, após o início da guerra, as autoridades dos Estados do Golfo lançaram uma repressão generalizada relacionada com a guerra contra a liberdade de expressão, detendo mais de 1.000 pessoas, nomeadamente por partilharem conteúdos na internet ou expressarem opiniões relacionadas com o conflito e os ataques do Irão ao Golfo.

Junho 18, 2026 . 13:30

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