
Caldas da Rainha reforça projeção europeia em Itália
O município das Caldas da Rainha apresentou em Bolonha e Florença o seu percurso enquanto Capital Europeia do Pequeno Retalho 2026, partilhando estratégias de apoio ao comércio local, inovação urbana e valorização dos mercados históricos.
A comitiva caldense participou, entre 15 e 17 de junho, numa missão institucional em Itália, a convite da Confesercenti Emilia-Romagna, na sequência da distinção atribuída a Caldas da Rainha pela União Europeia.
Caldas da Rainha foi uma das cidades convidadas a apresentar o seu percurso e os projetos desenvolvidos para dinamizar o tecido comercial, partilhando experiências com representantes de cidades, associações empresariais e organizações europeias ligadas ao retalho independente.
“A missão resulta do crescente reconhecimento internacional que o concelho tem vindo a alcançar, reforçando o seu posicionamento como referência emergente na discussão sobre o futuro do pequeno comércio nas cidades europeias”, refere o município em comunicado.
No dia 15, a delegação foi recebida na Câmara Municipal de Bolonha, no histórico Palazzo d'Accursio, por Luisa Guidone, vereadora do comércio e economia local, e por Anna Lisa Boni, responsável pelas relações internacionais e cooperação europeia.
O programa incluiu uma visita técnica ao centro histórico, com passagem pelos principais eixos de comércio tradicional, mercados urbanos, lojas históricas e pelos famosos pórticos classificados como Património Mundial da UNESCO, exemplos de integração entre património, turismo, cultura e atividade económica.
No dia seguinte, a delegação participou na Convenção Europeia ‘European Capital of Small Retail’, promovida pela Confesercenti Emilia-Romagna, ao lado dos representantes de Silandro (Itália) e Barcelona (Espanha), vencedores do mesmo prémio noutras categorias.
No dia 17 de junho, a delegação foi recebida no Mercato Centrale di Firenze, uma das referências internacionais na valorização de mercados tradicionais. A visita incluiu uma reunião de trabalho com representantes do consórcio responsável pela gestão do mercado Massimo Manetti, presidente do mercado e da Câmara do Comércio de Florença, e Linda Papi, diretora do Mercato di San Lorenzo, e respetiva equipa. Foram analisados modelos de governação, estratégias de promoção turística, programas de apoio a produtores locais e iniciativas que articulam gastronomia, cultura e turismo.
Um dos temas centrais foi a possível integração de Caldas da Rainha na International Association of Historic Markets (IAHM), associação fundada pelo Mercato Centrale di Firenze e pela La Boqueria de Barcelona que reúne mercados de referência de vários países. “A eventual adesão tem especial relevância, considerando o papel singular da Praça da Fruta — um dos maiores símbolos identitários da cidade e um dos mais emblemáticos mercados ao ar livre da Europa”, aponta a Câmara.
A delegação deslocou-se ainda ao Palazzo Vecchio, sede da Câmara Municipal de Florença, onde foi recebida pelo Vereador do Comércio e Desenvolvimento Económico, Jacopo Vicini. Durante o encontro foram partilhadas experiências sobre políticas de apoio ao comércio, gestão de centros históricos e estratégias para equilibrar a atividade turística com a preservação da autenticidade das cidades. A reunião permitiu identificar desafios comuns e abrir caminho para futuras oportunidades de cooperação, conta o município.
“A distinção como Capital Europeia do Pequeno Retalho abriu-nos portas para fóruns internacionais de enorme relevância. Estes convites demonstram que o nosso concelho está a ser reconhecido além-fronteiras e permitem-nos criar relações com benefícios concretos para o comércio e a economia local”, conclui o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques, citado em comunicado.
Sara Lopes, gestora do Bairro Comercial Caldas da Rainh@, sublinha que “cidades de diferentes dimensões enfrentam desafios muito próximos” das Caldas da Rainha, nomeadamente “a digitalização, a sustentabilidade, a necessidade de manter os centros urbanos vivos”. “O nosso contributo passou por mostrar que a inovação só faz sentido quando reforça a proximidade e ajuda a construir cidades mais humanas e resilientes”, acrescenta.







