
Câmara une-se para pedir ao Governo reforço de efetivos das forças de segurança
A escassez de efetivos nas forças de segurança levaram a Câmara de Leiria a aprovar por unanimidade o envio de um ofício ao Ministério da Administração Interna a pedir o reforço dos meios e a divulgação de dados de criminalidade à escala concelhia, numa proposta que reuniu consenso entre maioria e oposição.
A iniciativa surgiu na reunião do executivo de segunda-feira, na sequência de uma intervenção do vereador do Chega, Luís Paulo Fernandes, que manifestou preocupação com a falta de efetivos nas forças de segurança, recordando as declarações proferidas pelo comandante distrital da PSP de Leiria durante a cerimónia do 152.º aniversário do comando distrital, onde assumiu publicamente que a escassez de agentes constitui uma das principais preocupações da polícia.
“Estamos muito preocupados com a insegurança na cidade”, afirmou o vereador, considerando que essas declarações confirmam uma realidade que, na sua perspetiva, se tem vindo a verificar.
Luís Paulo Fernandes referiu ainda um relatório recente, no qual consta que o distrito de Leiria registou 183 furtos em residências (ver página 20), sendo o quinto distrito do país com maior número deste tipo de ocorrências.
Perante este cenário, o eleito do Chega propôs que o executivo aprovasse um documento conjunto dirigido ao Governo.
Na resposta, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, mostrou-se de acordo com a proposta. “Eu acho que faz todo o sentido. Estamos disponíveis para preparar um texto e, se concordarem, aprovarmos. Que seja consensual e unânime para falarmos na necessidade de reforços de meios humanos”, defendeu.
O autarca considerou que o pedido deve ser apresentado “sem qualquer tipo de caráter político ou partidário”, sustentando que resulta de uma realidade objetiva.
“Os dados são conhecidos. O crescimento populacional é muito superior. São 145 mil pessoas. Estamos a falar de uma ‘décalage’ de quase cinco mil pessoas a mais por ano. Este crescimento não é compatível com a regressão dos efetivos na polícia e na GNR, afirmou, defendendo que é urgente reforçar os meios humanos das forças de segurança”, adiantou.
Gonçalo Lopes acrescentou que faz igualmente sentido solicitar ao Governo que os relatórios oficiais passem a disponibilizar dados de criminalidade por concelho. “Acho que faz sentido desafiar o Governo para que estes dados dos relatórios passem a ser concelhios para que possamos ter noção quais são as áreas mais sensíveis”, referiu.
O presidente da autarquia lembrou ainda que, hoje e amanhã, Leiria recebe as comemorações do aniversário da Direção Nacional da PSP, que contarão com a presença de membros do Governo, considerando tratar-se de uma oportunidade para reforçar esta reivindicação.
O ofício, aprovado por unanimidade, solicita ao Ministério da Administração Interna que proceda à avaliação do atual quadro de efetivos da PSP e da GNR no concelho, tendo em conta fatores como a população residente, a centralidade territorial de Leiria, a atividade económica, a rede escolar e académica, a mobilidade diária e o número de ocorrências registadas.
Com base nessa avaliação, o município pede o reforço dos meios humanos e operacionais das duas forças de segurança, bem como um aumento do policiamento de proximidade, com especial incidência nas zonas urbanas, freguesias, áreas escolares, espaços públicos de maior utilização, zonas comerciais e territórios com maior dispersão populacional.
O documento solicita ainda que os relatórios oficiais passem a incluir informação estatística sobre a criminalidade por concelho, por tipologia e evolução temporal, considerando que esses dados permitirão uma leitura mais rigorosa da realidade local e contribuirão para definir estratégias de prevenção mais eficazes e uma melhor cooperação entre o Estado e os municípios.







