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“Mãos que trabalham” dão o tom à nova edição do Festival Nascentes

O Festival Nascentes regressa hoje às Fontes e afirma-se como um projeto enraizado no território, onde a arte se cruza com a comunidade.

O festival Nascentes regressa hoje à aldeia de Fontes, em Cortes, para a sua 6.ª edição, reafirmando a nascente do rio Lis como palco central de um encontro entre música, território e comunidade. O evento volta a apostar numa programação que cruza criação artística contemporânea, práticas comunitárias e residências artísticas.
Sob direção artística e produção de Gui Garrido, esta edição do Nascentes assenta num subtexto claro: o das “mãos que ajudam, que amparam, que indicam caminhos, que trabalham, que testam, que erram e que continuam em frente”.
Uma metáfora que, segundo o responsável, reflete também a realidade recente da região e a mobilização coletiva após a passagem da depressão Kristin pelo concelho, destacando o papel da sociedade civil.
“Eu destaco as moradoras e os moradores das Fontes porque estão sem dúvida o maior destaque”, refere Gui Garrido em declarações ao Diário de Leiria, sublinhando que sem a sua participação ativa, desde abrir casas e hortas até ceder tratores e tempo, o festival não seria possível.
A programação volta a dividir-se entre música, residências artísticas e oficinas para todas as idades, com forte enfoque no público familiar. As residências assumem um papel central na identidade do festival, promovendo processos continuados de criação.
Entre os projetos em destaque está o trabalho de Carincur e João Pedro Fonseca com o Coro das Nascentes, formado por mulheres da comunidade local, num processo de criação coletiva que reforça o vínculo entre arte e território, que ganha vinha hoje, pelas 23h00. “Já vamos para a terceira residência em três anos… achamos bonito este trabalho de continuidade, onde a linguagem se vai criando e primeiro estranha-se, depois entranha-se”, sublinhou o responsável.
Outro dos momentos é a apresentação do espetáculo resultante da residência artística ‘Correntes’, que junta os percussionistas Ricardo Martins e João Maneta, o compositor Rui Gaspar e o grupo Os Mimos, utentes da Casa do Mimo em Batalha. O encontro propõe uma exploração entre músicos e participantes com diferentes experiências de vida, através da percussão e da criação partilhada, apresentada hoje pelas 19h30.
A programação inclui ainda o projeto ‘Palestinian Sound Archive’, de Mo’min Swaiatat, com a projeção do documentário ‘My Beautiful Side of the Archive’, seguida de conversa e dj set dedicado à preservação da memória sonora palestiniana. O projeto desenvolve-se através de reedições de gravações, programação de eventos, rádio, instalações audiovisuais e performances ao vivo, contextualizando a música nos seus enquadramentos culturais e políticos.
Regressa também a tradicional ‘Jantarada d’Aldeia’, onde uma longa mesa volta a reunir habitantes e visitantes no coração de Fontes. Na adega do Caricas, retoma-se o encontro ‘Desabafar’, num ambiente informal onde o abafado caseiro acompanha conversas sem pressa.
Em declarações ao Diário de Leiria, o diretor artístico resume a intenção do festival: “Tentamos criar um programa diferenciado a nível nacional, com especificidade a diversos lugares”, sublinhando também a diversidade geográfica e sonora da programação, que vai da música coreana com referências tradicionais à África, Japão ou Turquia.

Julho 1, 2026 . 08:30

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