
Zelensky pede à UE sanções a empresas europeias controladas por oligarcas russos
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu hoje à União Europeia (UE) sanções contra empresas que operam no bloco comunitário e são controladas por oligarcas russos, bem como avanços “sem perder tempo” no processo de adesão ucraniana.
“Quero agradecer a todos os que nos apoiam e apoiam os nossos esforços e exorto-vos a continuar esse apoio através de novas sanções da União Europeia. Essas sanções são necessárias contra a frota fantasma da Rússia e contra muitas das ferramentas em que Putin ainda se apoia para continuar esta guerra e isto inclui também empresas em países europeus cujo único objetivo é trabalhar para a Rússia”, disse Volodymyr Zelensky.
Participando em Dublin na cerimónia de arranque da presidência rotativa do Conselho da UE, ocupada pela Irlanda este semestre, o Presidente ucraniano relatou que “existem empresas na Europa que pertencem ou são efetivamente controladas pela Rússia e pelos seus oligarcas sancionados”, companhias estas que “continuam a fornecer materiais essenciais ao agressor”.
A posição surge numa altura em que a Irlanda quer ultimar, agora em julho, o 21.º pacote de sanções à Rússia, que se centra nos setores de maior impacto para a economia russa, nomeadamente a energia, os serviços financeiros e as criptomoedas, prevendo ainda medidas para impedir a entrada na UE de combatentes das forças armadas russas.
Em meados de junho passado, foi por seu lado dado um passo importante no processo de adesão da Ucrânia, já que a UE abriu formalmente o primeiro grupo de negociações, o dos direitos fundamentais, considerado como o principal, num aval que foi possível após o levantamento do bloqueio húngaro.
“Foi uma decisão importante durante a presidência cipriota e agora temos de continuar a avançar. Contamos convosco para seguir em frente sem perder tempo”, salientou Volodymyr Zelensky.
Dirigindo-se ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, o Presidente ucraniano perguntou: “Podemos abrir mais cinco grupos de negociação. António, o que acha?”.
António Costa riu-se e respondeu dizendo “talvez”.
“Naturalmente, as maiores decisões políticas ainda estão por vir, mas passos como a abertura de novos grupos de negociação reforçam a motivação do nosso povo, elevam o espírito dos ucranianos e mostram que a União Europeia cumpre as suas promessas. É muito importante cumprir as promessas, e é exatamente assim que deve ser”, concluiu Volodymyr Zelensky.
O alargamento da UE é o processo de entrada de novos países no bloco comunitário, após cumprirem os critérios políticos e económicos exigidos.
No seu discurso, Volodymyr Zelensky relatou, ainda, que “os líderes mais poderosos do mundo, incluindo o Presidente dos Estados Unidos, já disseram à Rússia que esta guerra tem de terminar”.
“No entanto, [o Presidente russo] Putin quer continuar a lutar e isso é uma realidade. Por essa razão, ele deve enfrentar condições que tornem impossível continuar esta guerra”, concluiu.
A Irlanda vai ocupar, entre hoje e final de dezembro, a presidência rotativa da União Europeia, focada num acordo sobre o próximo orçamento plurianual comunitário e em estabilizar as relações com os Estados Unidos e aprovar mais sanções à Rússia.
Membro da UE desde 1973 e situada no noroeste da Europa, a Irlanda sucede a Chipre (primeiro semestre de 2026) na presidência rotativa do Conselho e será seguida pela Lituânia (primeiro semestre de 2027).
Esta é a oitava presidência irlandesa da UE.






