
Ministro garante que mais polícias vão ser distribuídos nos próximos meses
O ministro da Administração Interna (MAI) admitiu ontem, em Leiria, que “os meios são escassos”, mas garantiu que novos polícias “hão-de ser distribuídos” nos próximos meses.
Questionado pelos jornalistas sobre os sucessivos apelos ao reforço de efetivos da PSP em Leiria, feitos recentemente pelo comandante distrital durante as comemorações do aniversário do comando, e mais recentemente pela Câmara de Leiria, que já esta semana enviou uma carta ao Governo a solicitar mais meios humanos, Luís Neves reconheceu a escassez de recursos, mas não se comprometeu com um aumento específico para Leiria.
“Quer a Direção Nacional da PSP, quer o presidente da Câmara de Leiria, todos pretendem ter mais polícias e haveremos de ter esse momento. Agora, os meios são escassos”, afirmou Luís Neves, à margem do 159.º aniversário da PSP.
Confrontado especificamente sobre se está previsto algum reforço para Leiria, Luís Neves respondeu que essa distribuição “é uma decisão interna da Polícia de Segurança Pública”, acrescentando apenas que “hão-de ser distribuídos esses meios e outros que venham a ser libertados nos próximos meses”.
O MAI destacou ainda que 2026 ficará marcado como “o primeiro ano, em muito mais de uma década”, em que a PSP consegue concluir dois cursos de formação de novos agentes, modelo que pretende manter nos próximos anos. “Haveremos de encontrar uma forma de atrair mais jovens para abraçarem uma profissão que é uma autêntica missão de serviço público. Todos querem mais gente, mas essa gente há-de chegar”, afirmou.
Durante a cerimónia, Luís Neves destacou igualmente o papel desempenhado pelos polícias durante a passagem da depressão Kristin, lembrando que a região “conheceu de perto a resposta à emergência”.
As tempestades, referiu, deixaram “marcas profundas nas populações, na economia e na floresta”, adiantando que o Governo tem procurado “estreitar a relação entre o estado central e o poder autárquico”.
O governante considerou ainda que “Leiria é uma cidade particularmente adequada” para refletir sobre o futuro da PSP e sobre o papel de liderança numa instituição chamada todos os dias a responder a desafios cada vez mais complexos”, afirmou.
Também o diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, justificou a escolha de Leiria para acolher as comemorações precisamente como forma de homenagear a resposta da região após a tempestade. “Quando muitos procuravam abrigo, os nossos polícias saíram para a rua. Apenas cumprindo aquilo que sempre foi, e continuará a ser, a sua missão: servir a comunidade e os seus concidadãos”, afirmou.
Na sua perspetiva, a depressão Kristin revelou aquilo que distingue a região: “a capacidade de resistir, de se unir e de recomeçar”. “Hoje, quando toda a comunidade se mobiliza em torno do lema ‘Reerguer Leiria’, também a PSP se revê nesse desígnio. Porque os nossos polícias estiveram aqui desde o primeiro momento”, acrescentou.
Durante a intervenção, Luís Carrilho anunciou ainda que a PSP definiu uma estratégia de recursos humanos para o período 2025-2035, com o objetivo de atingir os 25 mil trabalhadores, entre polícias e pessoal técnico, face aos cerca de 20 mil atuais.
No final da cerimónia, questionado pelos jornalistas sobre a forma como a PSP vai atingir os 25 mil trabalhadores em menos de uma década, o superintendente-chefe Luís Carrilho referiu que se pretende “paulatinamente, ir aumentando”, com “melhor comunicação, melhor sensibilização”.
Em 2026, a PSP vai ter “pela primeira vez desde há muitos anos, dois cursos”, cadência que é para continuar, afiançou, para salientar que “Portugal é um país extremamente seguro”.
O dirigente revelou ainda que, em 2025, a PSP foi responsável pela prevenção e investigação de cerca de 47% da criminalidade geral participada em Portugal, de 64% da criminalidade violenta e grave e de 42% da criminalidade de iniciativa policial. No mesmo período, efetuou cerca de 18 mil detenções, um aumento de 28,6% face ao ano anterior.







