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Reabilitação do Jardim Luís de Camões vai custar 400 mil euros

A intervenção prevê a plantação de 46 novas árvores, quase duplicando o número de exemplares perdidos, numa estratégia que pretende aumentar a biodiversidade e criar uma mancha arbórea mais densa

A recuperação do Jardim Luís de Camões, um dos espaços verdes mais emblemáticos da cidade de Leiria e fortemente afetado pela depressão Kristin, vai custar cerca de 400 mil euros. O investimento, integralmente financiado pelo Fundo Ambiental, permitirá restaurar uma área de cerca de 1,5 hectares, replantar dezenas de árvores e modernizar infraestruturas, numa intervenção que a autarquia considera essencial para devolver à cidade “a âncora” da sua identidade.

O protocolo de colaboração técnica e financeira foi assinado esta quarta-feira entre o Fundo Ambiental, representado pela diretora Rosário Gama, e o município de Leiria, na presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

A intervenção surge na sequência dos estragos provocados pela depressão Kristin, que levou à queda de cerca de duas mil árvores no espaço urbano de Leiria.

Só no Jardim Luís de Camões desapareceram 24 árvores e outras quatro sofreram podas severas, comprometendo significativamente a cobertura arbórea.

Para o vereador da autarquia com o pelouro dos Espaços Verdes, Carlos Palheira, a assinatura do protocolo representa “um momento importante para a cidade”, uma vez que o jardim ocupa uma posição central na malha urbana e constitui um espaço de encontro para várias gerações. “O Jardim Luís de Camões é um elemento absolutamente central na vida da cidade. É um espaço com um enorme valor histórico e identitário”, sublinhou.

A intervenção prevê a plantação de 46 novas árvores, quase duplicando o número de exemplares perdidos, numa estratégia que pretende aumentar a biodiversidade e criar uma mancha arbórea mais densa. Serão introduzidas espécies como lódãos, freixos e tílias, escolhidas pela sua resistência ao ambiente urbano e capacidade de adaptação ao clima.

"O que vamos fazer é aumentar a biodiversidade, reforçar as zonas de sombra e melhorar o conforto térmico do jardim", explicou Carlos Palheira. Para além da intervenção ambiental, a autarquia prevê “intervir ao nível dos solos, da gestão da água, da iluminação, do mobiliário urbano e da manutenção do espaço”.

Além da requalificação paisagística, o projeto contempla a instalação de 64 novos pontos de iluminação LED com sistema de telegestão, novos pavimentos, bancos, floreiras, bebedouros e papeleiras, bem como um sistema inteligente de rega.

Apesar das alterações, a estrutura histórica do jardim será preservada. Caminhos, fontes e restantes elementos patrimoniais manter-se-ão inalterados. "Esta foi uma tempestade que não derrubou apenas telhados e fábricas, atacou também os símbolos da nossa cidade", afirmou Gonçalo Lopes.

O presidente da autarquia reforçou que a reconstrução não deve limitar-se à reposição do que existia antes da tempestade. “Não queremos fazer um jardim igual ao do dia 27 [de janeiro]. Queremos um jardim mais resiliente, preparado para responder às alterações climáticas e construído com o envolvimento da comunidade", afirmou.

Gonçalo Lopes revelou ainda que o município pretende envolver cidadãos, empresas e cidades parceiras na replantação das árvores. Entre os apoios já confirmados estão os municípios de Maringá, no Brasil, e de uma cidade da região de Paris, que irão oferecer centenas de árvores para integrar o processo de reflorestação urbana.

A ministra do Ambiente e Energia destacou que o Jardim Luís de Camões é o primeiro de seis projetos apoiados pelo Fundo Ambiental através do Programa para o Restauro de Ecossistemas Urbanos.

Segundo Maria da Graça Carvalho, o investimento enquadra-se na estratégia nacional de restauro da natureza e de adaptação às alterações climáticas das zonas urbanas.

Julho 3, 2026 . 08:30

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