
Município admite novas alterações na rede Mobilis após queixas
Menos de duas semanas depois da entrada em vigor da nova configuração da rede Mobilis, o município de Leiria admite voltar a introduzir alterações na sequência das reclamações recebidas e da monitorização que está a ser feita no terreno. A possibilidade foi assumida pelo vereador com o pelouro da Mobilidade, Luís Lopes, na reunião de Câmara desta segunda-feira, depois de uma intervenção de uma munícipe que apontou várias falhas no novo sistema.
Em resposta às críticas, o autarca revelou que, nos primeiros 12 dias de funcionamento da nova rede, foram registadas 13 reclamações, incidindo sobretudo sobre a falta de informação prévia, a eliminação de paragens e os novos horários, e garantiu que algumas das alterações introduzidas a 1 de julho já estão a ser reavaliadas.
“Estamos a fazer uma reanálise da viabilidade” das paragens que foram suprimidas, afirmou Luís Lopes, admitindo inclusivamente “uma reativação das paragens” eliminadas, nomeadamente no Largo José Lúcio da Silva e junto à Sé de Leiria.
“Há uma necessidade agora de perceber se este ajustamento é ou não uma resposta efetiva àquilo que as pessoas precisam”, afirmou, sublinhando que os primeiros dias de funcionamento ainda não permitem retirar conclusões definitivas.
“Ao fim de 12 dias de utilização ainda precisamos de mais dados para conseguir ter esta análise mais reforçada”, acrescentou, garantindo que este é “um processo contínuo”, pelo que mostrou disponibilidade para continuar a “recolher informação”, “analisar indicadores de regularidade e pontualidade” para “introduzir todas as alterações que se entendam necessárias".
Munícipe critica mudanças
A discussão surgiu na sequência da intervenção da munícipe Liliana Pereira, que disse compreender que a mudança do terminal rodoviário obrigava a reajustamentos na rede, mas questionou a dimensão das alterações efetuadas. A munícipe centrou a sua intervenção em três aspetos: a falta de divulgação das alterações, a reorganização dos horários e a supressão de paragens.
Quanto à comunicação, lamentou que os utilizadores só tenham tido conhecimento das mudanças quando estas já estavam em vigor, defendendo que deveriam ter sido colocados avisos dentro dos autocarros e nas paragens.
Segundo relatou, muitos passageiros aguardaram pelos autocarros nos horários habituais e acabaram por chegar atrasados aos seus compromissos. “As pessoas sentaram-se na paragem como habitualmente e o autocarro não passou. Chegaram mais tarde ao trabalho, perderam consultas”, exemplificou.
Liliana Pereira questionou ainda se os novos horários resultaram de algum estudo junto dos utilizadores, considerando que algumas alterações “parecem mais alterações logísticas (...) do que propriamente conveniência para os utilizadores”.
A supressão de paragens no Largo José Lúcio da Silva e junto à Sé foi outro dos aspetos criticados. “A supressão dessas paragens já está a causar alguns constrangimentos a muitas pessoas”, afirmou.
Município reconhece falhas
Na resposta, Luís Lopes reconheceu que o município falhou na componente informativa. “Não vou inventar qualquer desculpa: devíamos ter, no dia 1 de julho, essa informação toda disponível e, efetivamente, não foi possível”, admitiu.
Segundo o vereador, das 13 reclamações recebidas até agora, a maioria diz respeito precisamente à divulgação insuficiente das alterações. Para minimizar os constrangimentos, o município vai apostar na divulgação da nova rede Mobilis. “Iremos instalar postaletes informativos da rede Mobilis com os horários atualizados, e também com o mapa de rede nas paragens, mas também um desdobrável com os novos horários, e estamos a fazer esta distribuição também a bordo dos autocarros”, sublinhou Luís Lopes.
Mais à frente, o vereador explicou que muitas das alterações tiveram como objetivo melhorar o cumprimento dos horários, uma das principais queixas anteriormente registadas. Ainda assim, reconheceu que qualquer reorganização cria inevitavelmente beneficiados e prejudicados. “Estas alterações deram resposta a reclamações que já existiam, mas a verdade é que, alterando, há pessoas que acabam por ficar prejudicadas”, afirmou.
Oposição criticou nova rede
Do lado da oposição (PSD e Chega), os vereadores mostraram-se descontentes com as consequências das alterações na rede Mobilis e nos impactos que estão a ter nos leirienses.
“A alteração das rotas e circuitos retirou do centro de Leiria a maioria das ligações. Alteraram horários que se tornaram inadequados. Onde antes os passageiros eram deixados no coração da cidade, são agora largados na estação provisória junto ao estádio”, referiu o vereador do PSD, Nuno Serrano, considerando “essencial” uma reavaliação da rede “com brevidade” e que “sejam adotadas medidas que assegurem uma resposta mais centrada nas necessidades dos cidadãos”.







