
Jardins em Pedrógão Grande reúnem milhares de espécies raras
Na localidade de Sobreiro, em Pedrógão Grande, nasceu há 20 anos a Quinta das Mil Flores, um jardim exótico que reúne mais de mil exemplares de árvores e flores. O projeto nasceu pelas mãos da francesa Annabelle de La Panouse, que chegou a Pedrógão Grande à procura de um lugar para se estabelecer depois de um período de doença.
Através de um website imobiliário, descobriu uma antiga casa de quinta, “uma modesta construção rural em xisto, que não tinha nada de particularmente notável”. Contudo, ao observar a configuração do terreno, percebeu que aquele espaço poderia ser o “ideal” para criar um jardim onde ela e a família pudessem “desfrutar de momentos especiais”.
Antes de chegar a Portugal, Annabelle de La Panouse já trabalhava na área da gestão de património natural, nomeadamente nas propriedades do marido em França. Com essa experiência, decidiu “procurar um refúgio que estivesse dentro do orçamento, num clima mais quente”.
A empresária explicou que a ausência de pontos de interesse turístico no concelho a levou a “sonhar com um projeto que desse uma nova vida à Quinta e à pequena aldeia do Sobreiro, uma aldeia tranquila e pouco povoada, situada nas verdes colinas que dominam Pedrógão Grande”.
Ao Diário de Leiria, a empresária descreveu-se como uma “colecionadora incorrigível” de espécies e variedades de plantas “raras”, incluindo plantas vivazes, arbustos e árvores, muitas delas com elevado interesse pedagógico ou ainda pouco conhecidas pelas suas características alimentares.
O objetivo destas coleções, explicou, “não é produzir grandes quantidades, mas antes dar a conhecer aos visitantes novos sabores e novas experiências gastronómicas”.
Jardins proporcionam novas experiências aos visitantes
A filosofia da Quinta das Mil Flores assenta na proteção, conservação e valorização do património natural, com objetivos botânicos, ecológicos, biológicos, culturais e pedagógicos.
Atualmente, os jardins acolhem mais de mil espécies e variedades vegetais e estão organizados em diferentes espaços temáticos. “Inicialmente, nunca tive a intenção de desenvolver qualquer projeto aberto ao público”, confessou, mas hoje em dia o espaço recebe iniciativas culturais, passeios noturnos, festas temáticas e eventos familiares, estando aberto a todos os que desejem conhecer o projeto.
Árvores, arbustos, flores, legumes e plantas vivazes são cultivados tanto pelo “prazer que proporcionam aos visitantes como pelo seu interesse pedagógico e pela sua raridade”. A seleção das espécies assegura motivos de interesse ao longo de todas as estações do ano.
A Quinta das Mil Flores promove também atividades de educação ambiental com alunos das escolas da região.
Segundo Annabelle de La Panouse, os jardins foram pensados para garantir o acesso a visitantes com mobilidade reduzida, permitindo a circulação em mais de 60% dos espaços existentes.
Para além dos jardins, a empresária tem na propriedade a ‘Casa Aloes’, uma casa de campo “self-service”, com dois quarto no interior e ainda um quarto, a que chamou de “Aventura” no jardim, com capacidade para quatro ou cinco hóspedes. Conta também com cozinha e sala de estar.
A empresária garante que todos os visitantes são recebidos “com enorme alegria e profunda gratidão”. A presença e o reconhecimento de quem passa pela quinta são, segundo afirma, “uma fonte permanente de incentivo” para todos os que trabalham no espaço.
Questionada sobre a forma como foi recebida pela comunidade local, Annabelle de La Panouse destacou a hospitalidade dos habitantes do Sobreiro. “Os portugueses são, sem dúvida, das pessoas mais hospitaleiras, generosas e prestáveis” que conheceu.
A francesa recordou ainda os momentos difíceis vividos pela região nos últimos anos, desde os incêndios de Pedrógão Grande, em 2017, à pandemia da covid-19, em 2021, e, mais recentemente, à passagem da depressão Kristin. Apesar das adversidades, destacou a solidariedade, a coragem e a resiliência demonstradas pela comunidade.
Segundo a responsável pelo projeto, os jardins têm evoluído continuamente e a concretização do plano original continua ainda em desenvolvimento, tendo sido condicionada por vários obstáculos, como a obtenção de licenças.






