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Plano Estratégico para a Cultura de Leiria

Maio 23, 2025 . 13:30
Opinião: "A Autarquia, nos últimos anos, apostou numa cultura de rede na qual incluiu as associações e lhes deu espaço para, também elas, inovarem a apresentarem novas ideias, soluções e projetos de índole cultural".

Leiria apresentou um Plano Estratégico Municipal da Cultura para o concelho de Leiria (2020- 2030), publicado na European Heritage Hub, em abril de 2022. Esse plano era, ou é, definido por cinco eixos de intervenção. O primeiro, “Comunidade e Herança”, com o desejo de valorizar o património cultural e natural da região. O segundo, “Leiria Criativa”, com o objetivo de apoiar artistas e fomentar a produção cultural. O terceiro eixo, “Laboratório de Cidadania”, com a pretensão de incentivar a participação ativa da comunidade na cultura. Os dois últimos, “Diálogo Global” e “Territórios Colaborativos”, como base para promover Leiria internacionalmente como um polo cultural e desenvolver redes de cooperação entre municípios e entidades culturais.
Certo é que Leiria, culturalmente, conseguiu desenvolver várias ramificações atraindo mais pessoas, dentro e fora do concelho, apresentado mais soluções culturais, muitas delas interativas e dando nova vida aos museus. Quando sublinho cultura não estou a focar os grandes eventos ou espetáculos que atraem milhares de pessoas. Centro a reflexão nas ações que têm sido desenvolvidas pelo município, na sua maioria em parceria com as diversas associações e instituições existentes no concelho ou ao associar-se aos projetos culturais das mesmas.
Contudo, terá o município esgotado a sua capacidade de atrair novos projetos ou apresentar ações culturais que normalmente apenas surgem em Lisboa ou Porto? Terá o município cubagem para continuar a apostar na cultura além dos espetáculos e eventos de milhares de pessoas? Essas têm sido as perguntas dos últimos anos cujas respostas vão surgindo com uma agenda cultural imensamente preenchida. A Autarquia, nos últimos anos, apostou numa cultura de rede na qual incluiu as associações e lhes deu espaço para, também elas, inovarem a apresentarem novas ideias, soluções e projetos de índole cultural.
E, no meio da globalização cultural que Leiria foi bebendo e dando de beber, ainda existe espaço para mais. Espaço, para, por exemplo, um Festival de Arte Interativa (não sei se já existe o conceito). Misturando um pouco do que tenho observado pelo mundo, nas imensas incursões que vou tendo a sorte de fazer, era interessante envolver as pessoas num projeto em tempo real, como espalhar telas interativas pela cidade nas quais os visitantes poderiam desenhar ou escrever mensagens transformando as referidas telas em obras de arte coletiva. Realizarem-se espetáculos em locais inesperados, como mercados, parques ou jardins, envolvendo o público na narrativa. Desenvolver uma biblioteca viva na qual as pessoas poderiam contar e partilhar estórias e histórias de vida. Uma feira de troca cultural na qual os participantes lograriam trocar livros, discos, arte ou outros manifestações artísticas, passando, até, por habilidades culturais. Desenvolver concertos silenciosos… e… e…
Que pretendo transmitir com estas ideias simples e soltas? A cultura existe com e para as pessoas. É possível fazer sempre mais. Mas, se refletirmos sobre as ações culturais do início do século com as dos dias de hoje é uma diferença abismal. Por isso, só pode dizer que Leiria não tem cultura quem anda distraído com a direção que dá ao seu dedo indicador da intelectualidade. Agora, ninguém espere que seja só a Autarquia a desenvolver ações culturais. Temos de ser todos, naturais ou residentes no concelho, de forma a estarmos envolvidos no chavão da atualidade que se dá pelo nome de “identidade”.

Maio 23, 2025 . 13:30

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