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Os Incêndios Rurais, o Novo Governo e os Ecopontos Florestais

Julho 4, 2025 . 17:30
Opinião: "Infelizmente, desde 2017 as políticas públicas têm privilegiado o “massacre dos proprietários do minifúndio”, aplicando-lhes coimas sem qualquer sentido estratégico, em vez de promover o investimento público em centros de recolha e triagem dos excedentes de biomassa nessas regiões".

Com o início do Verão, regressa o sobressalto das populações do Interior rural devido à ameaça dos incêndios agro-florestais .
Depois do que se passou em Setembro do ano passado, em que na sequência do anúncio de condições climatéricas propícias à propagação das chamas, em apenas três dias se registaram mais de mil ignições, muitas das quais durante a noite … , espera-se que o novo Governo tome este Verão medidas drásticas de vigilância, prevenção e repressão a todos os comportamentos criminosos, ou grosseiramente negligentes, que ocorram nos dias com “Avisos Amarelos ou Vermelhos”.
É de sublinhar, que lançar apenas “Avisos Amarelos ou Vermelhos” até pode ser contraproducente porque “pode dar sinais psicológicos errados a mentes deformadas que decidem realizar ações criminosas “ .
O que se deve fazer nos períodos de maior risco, é proibir comportamentos que deem origem a ignições, impedindo nomeadamente a circulação em zonas de elevada densidade florestal a pessoas que transportam fósforos, acendalhas ou quaisquer outros tipos de materiais de ignição e/ou combustão.
É isso que o Governo, e em especial os Ministros da Administração Interna e da Agricultura, que tem a tutela das Florestas, deverão fazer este Verão!
Completaram-se há poucos dias oito anos sobre os trágicos incêndios de Pedrogão, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, que marcaram dolorosamente as regiões rurais do minifúndio.
Infelizmente, desde 2017 as políticas públicas têm privilegiado o “massacre dos proprietários do minifúndio”, aplicando-lhes coimas sem qualquer sentido estratégico, em vez de promover o investimento público em centros de recolha e triagem dos excedentes de biomassa nessas regiões.
Com o anúncio público, feito em 23 de Abril, passado de que foram atribuídos 1,5 milhões de euros provenientes do Fundo Ambiental para a instalação de “Ecopontos Florestais” nos Concelhos do minifúndio com elevada densidade florestal, surgiu uma nova esperança para as martirizadas populações destas regiões.
É urgente que o novo Governo dê agora prioridade à construção destes Ecopontos Florestais/Parques de Recolha de Biomassa, para que as populações do minifúndio tenham locais onde possam colocar em segurança os seus excedentes de biomassa, e poderem também aí ser compensadas pelas despesas do respetivo corte e transporte.
Ecopontos onde se faça a triagem dessa biomassa, encaminhando-a depois para as utilizações mais convenientes, de acordo com as respetivas características.
Estas utilizações podem incluir estilha para prensados de madeira, lenha para caldeiras ou para recuperadores de calor, biomassa para Centrais Térmicas ou para compostagem.
Face aos sinais claros de reformismo e eficácia que o novo Governo está a dar, há a fundada esperança que a construção destes “Ecopontos Florestais”, já anunciados no passado mês de Abril e que muito irão contribuir para impedir a propagação dos incêndios rurais numa grande parte do território português, será uma das suas prioridades.
Assim o exige a segurança das populações numa Democracia de Qualidade.

Julho 4, 2025 . 17:30

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