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Jogos de tabuleiro modernos: formas de ler e dinamizar as bibliotecas

Novembro 7, 2025 . 17:31
Opinião: “Se as bibliotecas conseguirem entrar verdadeiramente no mundo dos jogos, especialmente os jogos de tabuleiro e cartas modernos, poderão amplificar os seus serviços públicos e explorar estas reinventadas formas de exploração literária e da própria literacia”.

A partir do momento que entramos no mundo dos jogos com temas e narrativas, entramos no mundo dos jogos como Media e Literatura. Para já, estou a referir-me a todos os tipos de jogos, quer sejam analógicos ou digitais. Quer sejam jogos de mesa ou videojogos. Se nos jogos ditos clássicos, tais como Damas, Xadrez, Gamão e muitos outros bem menos conhecidos, era muito raro escreverem-se as regras, hoje isso mudou. Mesmo nos jogos abstratos, tais como esses clássicos, as caixas são acompanhadas de regras para aprendermos como jogar. Noutros casos, sendo o Xadrez um exemplo paradigmático, pelo prestígio e história que tem, campeonatos e todo o imaginário associado, escrevem-se muitas páginas sobre o próprio jogo, táticas e estratégias para vencer.
Mas não é disso que quero falar. Quero lembrar aqui de algo que por vezes nos esquecemos. Os jogos são artefactos literários, uma forma de manifestação literária. Existe um historial imenso de jogos com elaboradas narrativas escritas. Dos livros jogos, como é a conhecida coleção das aventuras fantásticas, nascidas nos anos 80 e agora reeditadas pela Porto Editora, aos videojogos com textos onde efetuamos escolhas narrativas que, de depois de ler e analisar textos, afetam o desenlace. São formas de desenvolver a leitura e ler num sistema de motivação que torna o leitor num agente ativo na interação com o artefacto, neste caso o jogo.
Os jogos digitais continuam a ter textos ricos para explorar, embora muitos tenham sido substituídos por narração direta, traduzida nas várias línguas locais. Os jogos de tabuleiro e cartas continuam a depender fortemente do texto para apresentar ideias e enquadrar narrativas. Com o desenvolvimento dos jogos de mesa modernos, especialmente aqueles que requerem complexos livros de regras para que os possamos aprender ou então aqueles que apresentam ricas narrativas para explorar, existe um fascinante mundo por explorar. São formas alternativas de reforçar a literacia. Por isso mesmo, as bibliotecas públicas e escolares deveriam ter mais jogos deste tipo e oferecer verdadeiras ludotecas com mais títulos para explorar, quer seja para apoio à suas atividades quer para requisitar.
Se as bibliotecas conseguirem entrar verdadeiramente no mundo dos jogos, especialmente os jogos de tabuleiro e cartas modernos, poderão amplificar os seus serviços públicos e explorar estas reinventadas formas de exploração literária e da própria literacia. Podem rejuvenescer-se e atrair novos públicos. Mas para isso precisamos de investimento material e humano. As bibliotecas precisam de adquirir os jogos, manter a sua oferta atualizada, pois estão constantemente a ser publicados novos títulos, e implementar um processo de curadoria e preservação destes artefactos tão sujeitos a danos e perda de peças. O investimento na dimensão humana não é menos importante. Cada jogo requer novos conhecimentos e contar com alguém que possa ensinar e convidar para jogar é da maior das importâncias. Os colaboradores das bibliotecas precisam de conhecer os jogos e estar preparados para ajudar os novos leitores a explorar esta reinventada forma de ler a abrir horizontes.

Novembro 7, 2025 . 17:31

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