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Fernando Marques, o escultor que dá vida ao silêncio

Novembro 14, 2025 . 17:00
Opinião: "Não tenho dúvida que Fernando Marques é o escultor que dá vida ao silêncio da matéria. A sua obra é o diálogo entre a forma e a emoção".

No dia 30 de outubro foi prestada homenagem ao escultor leiriense Fernando Marques (1934-2017), no dia em que faria 91 anos de idade, numa iniciativa promovida pela comissão para as comemorações do nascimento de Fernando Marques, sabendo que a sua filha, Paula Marques, tem sido a verdadeira promotora da obra do pai, para que esta não fique esquecida. Depois de alguns apontamentos musicais pela Sociedade Artística e Musical Cortesense, o testemunho de alguns amigos e apresentação de um documentário sobre a vida e obra de Fernando Marques, foi descerrada na casa onde nasceu, pelo presidente da Câmara e netas, uma placa em sua homenagem, no Largo de São Pedro.
Fernando Marques tem, essencialmente, obra em Portugal e Angola, com destaque para a nossa região e com realce para os concelhos de Leiria, Ourém e Santarém. Neste último, foi inaugurada postumamente a estátua “São Paulo”, a 3 de abril do presente ano. A cidade de Leiria, entre muitas outras, tem as estátuas “Luís de Camões” (1980), no Jardim com o mesmo nome, “D. Dinis” (1997), na rotunda D. Dinis, “Monumento ao Emigrante” (1990), na confluência da rua Dom João III e a avenida Cidade de Maringá, “Marco do Rotário” (2001) que é um monumento que homenageia a profissão do trabalhador rural, na Rotunda Vale dos Lobos (avenida Comunidade Europeia) entre muitas outras, assim como medalhas, bustos, vitrais, pintura e desenho.
Em Ourém, por exemplo, estão patentes duas obras fantásticas e simbólicas de Fernando Marques: a primeira está no Castelo de Ourém, “Dom Nuno Álvares Pereira” (1985) e a segunda o “Monumento aos Pastorinhos” (1997), na rotunda Sul em Fátima.
Fernando Marques foi aluno dos escultores Luís Fernandes (1859-1954) e Narciso Costa (1890-1969). Em 1954 foi viver para Angola, onde permaneceu até 1975. Além da pintura e da escultura, também se dedicou à música como cantor (1955-1959) e à rádio como locutor e produtor de programas, entre 1956 e 1973.
Em 1960 concluiu o curso de Topografia nos serviços geográficos e cadastrais e desenvolveu trabalho nessa área. A partir desse ano fez inúmeras ilustrações para livros e outras publicações.
Entre 1962 e 1975 trabalhou como docente na Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva, no Lubango. Na década de 60 venceu o primeiro prémio de aguarela, medalha de ouro, na modalidade de Retrato e em 1967 terminou o Curso de Desenho na Continental Schools.
Entre 1967 e 1973 tornou-se proprietário e diretor do Colégio Nuno Álvares, no Lubango e em 1975, já em Portugal, trabalhou para a Câmara Municipal da Batalha na área da topografia tendo-lhe sido atribuído um louvor no ano em que finalizou o seu trabalho e regressou ao ensino.
Na segunda metade da década de 70 iniciou os estudos na Universidade de Belas Artes de Lisboa na qual se formou em Escultura. Lecionou até à sua aposentação e continuou sempre a desenvolver o seu trabalho na pintura, no desenho, na ilustração, no cartoon, no design gráfico e na escultura. Foi nesta “que encontrou a forma de se expressar artisticamente”, como Paula Marques gosta de o identificar como escultor.
Muito há para escrever sobre a obra de Fernando Marques. Estas são algumas notas de uma biografia sucinta que pode ser aprofundada na internet através da página https://www.escultor-fernando-marques.pt/.
Em breve a Villa Portela terá uma obra de Fernando Marques…
Agora, seguindo o trabalho exemplar que a Paula Marques está a desenvolver, é importante continuarmos a promover a obra que este insigne leiriense nos legou e a todos deve orgulhar. Um dos melhores…
Não tenho dúvida que Fernando Marques é o escultor que dá vida ao silêncio da matéria. A sua obra é o diálogo entre a forma e a emoção.

Novembro 14, 2025 . 17:00

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