Novos civismos ou a falta dele no dia-a-dia em Portugal
Viver em sociedade é um desafio, mas algo essencial para a nossa espécie. Somos animais sociais, mesmo que possivelmente malcomportados. Felizmente, enquanto sociedade, fomos estabelecendo regras e condutas de comportamento que nos ajudam a viver melhor. No entanto, com as mudanças rápidas que as sociedades estão sujeitas, algumas tão rápidas que mudam totalmente a forma de fazer certas coisas, surgem imensas indefinições. Mas estou a falar de coisas simples, do dia-a-dia. Exemplos de pequenas coisas, até mesmo irrelevantes, para nos poderem ajudar a pensar nas que são maiores e mais importantes. Mas vamos então a exemplos concretos para enquadrar e repensar na nossa portugalidade em mutação.
O caso das escadas rolantes. Ocupamos toda a largura dos degraus, sem pensar que outras pessoas podem querer subir diretamente, pois podem estar com mais pressa. Apesar das escadas rolantes não serem uma novidade, parece que ainda nos deslumbram.
Correr para as mesas, para guardar lugar num espaço partilhado de vários restaurantes a utilizarem uma quantidade limitada de mesas, sem considerar que estamos a bloquear o espaço para quem já tem a comida pronta. Para além de gerarmos ineficiência, revela um certo egoísmo das pequenas coisas. Talvez esteja relacionado com o nosso passado nacional, da sociedade de escassez. Felizmente desapareceu na generalidade, mas ficaram vestígios, aparentemente.
Utilizar o telemóvel em alta-voz em todo o lado, criando ruído coletivo evitável. Algo que se relaciona também com as práticas de fazer videochamadas ou assistir a vídeos em público sem usar auriculares de modo a proteger os outros. Aqui também entra o caso particular de atender chamadas não essenciais à mesa ou durante uma conversa com outra pessoa ou grupos de pessoas, condicionando e interrompendo as dinâmicas de grupo. Será uma forma de expressão do quão sociais supostamente somos sem sabermos socializar de verdade?
A utilização de multibancos para uma infindável quantidade de operações, gerando filas enormes quando algumas pessoas apenas precisam de fazer levantamentos rápidos. Uma questão de gestão do tempo, nosso e dos outros?
Bem, foram alguns exemplos. Admito que são coisas menores, quase ridículas. Mas o objetivo era levar à reflexão. Novos produtos, comportamentos e atividades estão constantemente a chegar a Portugal neste mundo de consumo e hiperconexão. Quando viajamos para outros locais apercebemo-nos disto e de muito mais. Quando outros chegam à nossa sociedade também. Como sociedade, estamos sempre a mudar e a resistir quando invocamos tradições. Resta saber o que queremos para o nosso futuro em sociedade. Que sociedade queremos construir? Desde as pequenas às grandes coisas, tudo tem um peso, significado e efeito. Estaremos conscientes do nosso impacto e influencia neste grande sistema de entradas, saídas e relações a que chamamos sociedade?





