O Apagão Ibérico, o Sistema Elétrico e o Interior
A otimização do Sistema Elétrico é essencial para a competitividade das empresas e o bem-estar das famílias portuguesas.
Quando em 2006 o governo de José Sócrates baseou o nosso Sistema Elétrico em potencias intermitentes, eólicas e solares, criou-se um “monstro” com implicações negativas, tanto tecnológicas como económicas.
Para garantir a rentabilidade aos investidores nas potencias intermitentes, foram-lhes atribuídas FIT-Feed In Tariffs que são tarifas políticas e que asseguram uma “reserva de mercado”, com preços garantidos independentemente da procura que exista em cada momento.
Dadas as características da eletricidade, para evitar “apagões” são necessárias centrais térmicas de backup, que têm de produzir sempre que falte o sol ou o vento.
Quando em 2021 o governo promoveu o encerramento das centrais a carvão de Sines e do Pego/Abrantes, que eram as únicas potencias “firmes” de backup instaladas a Sul do Tejo, a estabilidade do Sistema Elétrico ficou dependente das importações de Espanha.
Por isso, e apesar da enorme sobre-capacidade instalada, Portugal importa um terço do seu consumo de eletricidade de Espanha, e o total das importações líquidas registadas desde 2021 a 2024 atingiu os 4.262 milhões de euros.
O mega Apagão que afetou toda a Península Ibérica em 28 de Abril de 2025 foi, para muitos decisores políticos, um choque surpreendente.
O Relatório Europeu já publicado sobre esse Apagão situa a sua origem em parques solares da Andaluzia e evidenciou que, além dos riscos causados pela intermitência da produção, há também que ter em conta as “flutuações” de tensão e da frequência da corrente elétrica. O que obrigará certamente a restrições de produção e/ou custos adicionais de fontes intermitentes..
O segundo Relatório Europeu irá indicar as medidas que serão necessárias para evitar mais apagões, mas é urgente que Portugal otimize desde já o Sistema Elétrico, conciliando a competitividade económica, a descarbonização e a segurança.
As regiões do Interior devem ter um papel decisivo nesta otimização, nomeadamente através de duas medidas prioritárias:
1 – A Utilização de Biomassa Agro-Florestal para fins Energéticos
As florestas são o nosso maior “sumidouro de carbono”, mas os incêndios rurais provocam um brutal aumento de emissões de CO2.
Uma política da descarbonização exige que as verbas do Fundo Ambiental sejam usadas prioritariamente para promover Parques para a recolha e utilização de biomassa agro-florestal nas zonas do minifúndio do Interior Norte e Centro, conforme já determinado no Dec Lei 64/2017 e na Portaria 425/2025.
Os proprietários florestais serão recompensados nesses Parques pelos custos do corte e transporte da biomassa, e também os diferentes utilizadores se poderão aí abastecer, em especial as centrais elétricas a biomassa.
2 – Instalação de Armazenagem/Bombagem no Zêzere
Para “armazenar indiretamente” eletricidade intermitente em Portugal, é urgente instalar bombagens na cascata das três barragens existentes no rio Zêzere: Castelo do Bode, Bouçã e Cabril.
Desta forma compatibiliza-se a produção hidroelétrica e a manutenção da reserva estratégica de água para abastecer a Grande Lisboa.





