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“O silêncio” das entidades oficiais “está a provocar mais estragos do que a própria tempestade”

Os Bombeiros Voluntários de Leiria iniciam a recuperação das instalações devastadas pela depressão Kristin sem apoios oficiais, apesar da solidariedade da população

A solidariedade da população de todo o país para com os Bombeiros Voluntários de Leiria tem sido bastante expressiva e tem representado um apoio importante para a corporação, que viu as suas instalações ficarem devastadas pela força da depressão Kristin. Ainda assim, o montante angariado é insuficiente para fazer face à dimensão dos danos.

Dos cerca de 170 mil euros em donativos, cerca de 30 mil já foram gastos com os trabalhos de limpeza e na aquisição de materiais necessários para iniciar a recuperação das instalações.

No total, a estimativa da corporação aponta para um investimento na ordem dos 1,4 milhões de euros, valor necessário para cobrir os danos sofridos nos quartéis de Leiria e da 5.ª Companhia de Monte Redondo, bem como em viaturas e equipamentos.

Perante este cenário, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria continua a avançar com os trabalhos de recuperação por “sua conta risco”, uma vez que, segundo o seu presidente, ain­da não recebeu qualquer indicação por parte das entidades oficiais sobre os apoios que poderão ou não chegar.

“Ninguém pode entender que, passado um mês, nós não tenhamos rigorosamente nada por escrito que nos diga que estão a trabalhar nos apoios. Até hoje, a única coisa que recebemos foi um mapa para referenciar os danos”, criticou, convicto de que “o silêncio das entidades governamentais está a provocar mais estragos do que a tempestade”.

José Almeida Lopes acrescentou que existem ainda outras entidades que têm “compromissos” e “protocolos assinados” com a corporação, mas “tardam em fazer chegar as verbas”.
Quanto à conclusão das obras, tudo dependerá dos apoios. “A partir deste momento, o tempo de recuperação vai depender do tempo da resposta das entidades oficiais, porque nós sabemos o que é preciso fazer. Precisamos é do apoio monetário para avançar com isto”, afirmou.

Para o responsável, a população tem demonstrado reconhecer o papel dos bombeiros. “A população está connosco e não tenho dúvidas de uma coisa: as pessoas perceberam que, desde o primeiro momento, quem está com elas são os bombeiros”, sublinhou.

Ainda assim, defendeu que a responsabilidade pela proteção de pessoas e bens não pode recair apenas sobre as corporações de bombeiros. “A primeira responsabilidade de proteger pessoas e bens é dos detentores dos cargos políticos. Os bombeiros disponibilizam-se para socorrer as pessoas, mas têm que lhes dar os meios”, afirmou.

Almeida Lopes deixou também um alerta sobre o futuro: “Como vou motivar as pessoas para fazerem parte de órgãos sociais de uma associação que tem como objetivo socorrer as pessoas, mas que depois, quando necessita, fica por sua conta e risco?”.

Março 6, 2026 . 14:45

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