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Oposição divide-se entre críticas à gestão atual e desafios para o futuro

A necessidade de um território “mais preparado na gestão de risco” e as críticas à resposta pós-tempestade Kristin marcaram os discursos dos vereadores do PSD e do Chega na sessão solene do Dia do Município.

As críticas à resposta à tempestade Kristin, os atrasos em obras públicas, a mobilidade, a segurança e os desafios ligados ao desenvolvimento do concelho marcaram os discursos dos vereadores da oposição na sessão solene do Dia do Município de Leiria.
O vereador do Chega, Luís Paulo Fernandes, deixou várias críticas à atuação do executivo municipal, defendendo que “celebrar” o concelho também exige coragem “para ver o que não está bem”.
Com a passagem da depressão Kristin, Luís Paulo Fernandes considerou que ficou evidente “a total ausência de redundância energética”. “Falhámos ao ponto de não se conseguirem garantir mínimos básicos à população. Faltou água, caíram as telecomunicações, faltou energia”, frisou.
Na sessão solene, Luís Paulo Fernandes afirmou que não se pode permitir que “o concelho fique paralisado e isolado”, para sublinhar que “governar é precaver, não é remediar a correr, governar não é ter tempo para provocar ou vitimizar ou para desculpar ou para atacar a oposição na Câmara”.
Defendendo ser “urgente exigir do Governo central uma vigilância apertada à reciprocidade da proporcionalidade das medidas destinadas” ao concelho, nomeadamente do PTRR e dos apoios à reconstrução, Luís Paulo Fernandes disse ainda que “Leiria não pode continuar a ser tratada como um parente pobre”.
Na sua intervenção, Luís Paulo Fernandes criticou ainda a “gritante incapacidade de gestão interna que todos testemunham diariamente”, considerando que o executivo municipal “não tem tido a capacidade de fazer cumprir os prazos das obras públicas”.
O vereador do Chega criticou também os atrasos em obras no centro da cidade. “Mas quando vamos para as as freguesias, a realidade ainda é pior”, referiu, apontando ainda “a falta de investimento básico, as estradas degradadas e a falta de saneamento”. “Leiria não é apenas e só o centro urbano. Leiria também tem as suas freguesias”, realçou.

“Olhar o futuro com ambição”
Já o vereador do PSD na câmara de Leiria, Nuno Serrano, começou por destacar o potencial do concelho e enaltecer o concelho como um território de “cultura, conhecimento, economia e progresso”, mas defendeu que Leiria enfrenta desafios que “não se podem ignorar”, nomeadamente ao nível da mobilidade urbana e intermunicipal, da habitação e da capacidade de fixar jovens no território.
“Precisamos de criar condições para que os jovens possam ficar, viver e construir aqui o seu futuro”, afirmou Nuno Serrano.
O vereador social-democrata sublinhou ainda a necessidade de um território “equilibrado” e “mais preparado na gestão de risco”, desde “a prevenção de incêndios até às infraestruturas urbanas”. “E isso exige investimento e planeamento rigoroso”, acrescentou.
Nuno Serrano abordou também preocupações relacionadas com a segurança, defendendo que famílias, comerciantes e empresas “precisam de sentir que vivem num concelho seguro, coeso e atento”.
Sobre a depressão Kristin, Nuno Serrano considerou que a tempestade “mostrou o modo como a comunidade reagiu, mobilizando-se de forças, protegendo os mais vulneráveis, reparando danos, com coragem e sentido de missão” e respondendo com “dignidade, solidariedade e esperança”.
Contudo, o vereador salientou que “ainda há feridas para sarar. Há muito caminho para percorrer. Há infraestruturas para recuperar, equipamentos para melhorar e freguesias cujo o apoio precisa ser mais rápido e mais eficaz”.
“Há obras, há decisões, há investimentos que não podem ficar para depois. E se queremos honrar esta resiliência, em transformar os desafios em oportunidades, precisamos de olhar para o futuro com ambição”, para uma “Leiria mais sustentável, mais acessível e mais inclusiva”, acrescentou.
Nuno Serrano falou ainda sobre a linha de alta velocidade, um projeto que, no seu entender, irá proporcionar ao território “oportunidades de atração de investimento e desenvolvimento económico”. Contudo, considerou que, para que isso aconteça, “em benefício de todos”, será necessário “planeamento urbano integrado, mitigação dos impactos ambientais, exigência e visão”.|

Maio 23, 2026 . 09:30

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