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Opinião

Será que vale a pena continuar a escrever textos de opinião?

Junho 18, 2026 . 18:15
Opinião: “Há sempre uma agenda, uma intenção em quem escreve este tipo de texto. Se antigamente uma das motivações era ter “existência política”, tentando agarrar todas as oportunidades para escrever e aparecer, agora faltam o tempo e a intenção política de “aparecer””.

Já escrevo para os jornais locais há anos, mais de 15 seguramente, provavelmente já perto dos 20. Começou como uma motivação cívica e partidária, numa altura em que as duas, para mim, se fundiam. Na altura, fazia sentido para mim. Hoje, cada vez menos, pois encontrei outras formas de participar mais poderosas e fundamentadas. As minhas motivações eram marcadamente ideológicas, até porque a experiência de vida, académica e profissional eram ainda curtas. Atualmente, as coisas mudaram e de que maneira.
Estava iludido sobre várias coisas, mas ainda bem! Precisamos de ilusões e sonhos. Idealismo e ideologia foram as motivações iniciais, num processo que me levou a querer estudar e aprender mais, até que deixei a atividade partidária de lado progressivamente. No entanto, não deixei de escrever na imprensa local e, de tempos a tempos, na nacional. Mas os textos mudaram. Tentei que sempre fossem tecnicamente fundamentados, mesmo quando havia política na agenda. Hoje esforço-me por introduzir fundamentação adicional, mas contam também com a maior experiência de vida e com o mundo que fui ganhando, pois os meus horizontes estenderam-se para além de Leiria.
Há sempre uma agenda, uma intenção em quem escreve este tipo de texto. Se antigamente uma das motivações era ter “existência política”, tentando agarrar todas as oportunidades para escrever e aparecer, agora faltam o tempo e a intenção política de “aparecer”.
Há muito para dizer na mesma, só que muitas outras coisas concorrem pelo tempo cada vez mais escasso que tenho. É isso que me leva a questionar se este esforço vale a pena. É óbvio que gosto de escrever textos de opinião por vários motivos; um deles foi o processo de combate à minha timidez natural. No texto, controlamos melhor a mensagem que queremos transmitir, o ritmo e a duração. Mesmo escrevendo por prazer e sem remuneração, o esforço pesa sempre quando se transforma em compromisso.  Por outro lado, o que não se controla são as reações dos leitores, especialmente quando se escreve em formato físico. Não faço ideia se os textos são relevantes, se alguém os lê e deles retira alguma utilidade.
Gostava de efetivamente ter alguns indicadores para saber se vale a pena continuar. Da minha parte, continuo a ter ideias e pensamentos que posso ir partilhando, baseados no que vou trabalhando, investigando e experimentando, pois é suposto haver uma aproximação entre a academia e a sociedade civil. Também quero continuar a partilhar o que vou aprendendo nas interações internacionais. Podemos aprender com os bons exemplos. Mas serei capaz de transpor isso para texto de forma adequada? Provavelmente nunca saberei ao certo.
Ao contrário dos artigos científicos e de investigação, em que estamos constantemente sujeitos à verificação por pares, à análise crítica e à necessidade de proceder a correções antes de publicar, neste formato em que escrevo não se passa nada disso. Aqui, no formato de crónica, texto de opinião ou equivalente, o único indicador sobre o conteúdo que tenho é a continuidade do pedido de mais textos que os jornais fazem, somente isso. Talvez essa seja a única coisa que interessa, afinal.
Pretendo continuar a escrever, mas é útil receber reações ao que partilho. Como fazer? Também não sei. Fico à espera enquanto escrevo.

Junho 18, 2026 . 18:15

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