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50 vezes a pensar em voz alta

Junho 19, 2026 . 12:00
Opinião: “Se há algo que estes cinquenta artigos me ensinaram é que, muitas vezes, somos capazes de mais do que imaginamos. O primeiro passo parece difícil. O segundo também. Mas, quando damos oportunidade ao tempo, ao esforço e à persistência, acabamos por chegar a lugares que nunca tínhamos planeado”.

Há cerca de dois anos aceitei um desafio que, na altura, me pareceu simples. Procurava-se alguém do Departamento de Engenharia Mecânica disposto a escrever um artigo. Ofereci-me para o fazer. O tema era confortável para mim: a engenharia e o seu papel na sociedade.
O que não imaginava era aquilo que viria depois.
Na verdade, o verdadeiro desafio nem sequer era escrever aquele primeiro artigo. Era responder a uma pergunta que surgiu quase por curiosidade: será que sou capaz de escrever para um jornal, não sendo jornalista?
O Diário de Leiria abriu-me essa porta. Eu decidi atravessá-la. E, sem dar por isso, cheguei agora ao quinquagésimo artigo.
Cinquenta vezes a pensar em voz alta.
Quando olho para trás, percebo que os temas foram mudando. Comecei pela engenharia, mas rapidamente passei a escrever sobre aquilo que me rodeia e me faz refletir. A família, os filhos, a educação, o desporto, a política, a sociedade, a fé, a guerra, a esperança, o esforço, o amor, os desafios do quotidiano e tantas outras questões que fazem parte da vida de todos nós.
Alguns artigos nasceram de experiências pessoais. Outros de notícias. Outros começaram apenas com uma pergunta que insistia em não sair da minha cabeça.
Ao longo destes cinquenta artigos nunca procurei convencer ninguém. Nunca escrevi para ter razão. Procurei apenas partilhar reflexões e, se possível, convidar quem me lê a pensar comigo.
Naturalmente, houve quem concordasse e quem discordasse. Houve elogios, críticas e opiniões contrárias. E ainda bem. Pensar não significa chegar todos às mesmas conclusões. Significa ter a liberdade de refletir, questionar e procurar compreender melhor o mundo que nos rodeia.
Na tradição bíblica, o quinquagésimo ano era conhecido como o Ano do Jubileu. Um tempo de libertação, renovação e novos começos. Não pretendo comparar estes cinquenta artigos ao significado profundo desse acontecimento, mas não consigo evitar o simbolismo do número.
Chegar aos cinquenta artigos convida naturalmente a fazer um balanço.
Mas o Jubileu não era apenas um olhar para trás. Era, sobretudo, uma oportunidade para olhar para a frente com esperança.
E talvez seja essa a principal lição que retiro deste percurso.
Se há algo que estes cinquenta artigos me ensinaram é que, muitas vezes, somos capazes de mais do que imaginamos. O primeiro passo parece difícil. O segundo também. Mas, quando damos oportunidade ao tempo, ao esforço e à persistência, acabamos por chegar a lugares que nunca tínhamos planeado.
Ao longo deste percurso aprendi também que escrever não é apenas colocar palavras no papel. É organizar pensamentos e procurar compreender melhor as pessoas.
Hoje existe até a possibilidade de estes artigos virem um dia a dar origem a um livro. Não sei se acontecerá. Ainda é apenas uma ideia. Mas também nunca imaginei chegar ao artigo número cinquenta.
Talvez seja por isso que continuo a acreditar na importância de dar o primeiro passo, mesmo quando não sabemos exatamente onde o caminho nos levará.
Há dois anos fiz uma pergunta a mim próprio: "Será que sou capaz?"
Cinquenta artigos depois, percebo que a resposta nunca esteve apenas na escrita. Estava na coragem de dar o primeiro passo.
"Até aqui nos ajudou o Senhor."
Mas isto sou eu.

Junho 19, 2026 . 12:00

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